Acervo online de cordel

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Quem nunca segurou um folheto de cordel nas mãos poderá ter os primeiros contatos com o gênero por meio de um grande acervo online da Casa de Rui Barbosa — fundação cultural com sede no Rio de Janeiro e ligada ao Ministério da Cultura. Desde dezembro de 2016 ela disponibiliza 2.340 folhetos de 21 poetas. Os textos foram digitalizados — em alguns casos, também restaurados — em suas versões originais ou edições posteriores com alguma alteração. O acesso ao acervo físico só é permitido a pesquisadores, sendo necessária autorização da fundação.

No site constam apenas os folhetos que foram autorizados pelos autores (ou seus herdeiros) ou os que estão em domínio público. “Atribuo a esse trabalho um valor inestimável para preservação do patrimônio, tanto que pretendo encaminhar uma proposta para a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] para que o cordel seja tombado como patrimônio da humanidade”, disse Ivone da Silva Ramos Maya, pesquisadora responsável pelo projeto. O trabalho de pesquisa e disponibilização on-line inicialmente se restringia à obra do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), tido como um dos mestres do cordel. Ele dá nome à cadeira número 1 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, fundada em 1988.

A Casa de Rui Barbosa considerou um sucesso a digitalização, então o projeto foi expandido com obras de outros 20 poetas. O trabalho divide os cordelistas em dois grupos: os pioneiros (nascidos na segunda metade do século 19 e que começaram no cordel no início da produção em série de folhetos) e os da segunda geração (que nasceram no início do século 20 e entraram para o cordel quando esse mercado já estava estabelecido e a maior parte dos pioneiros já havia morrido). Entre as duas gerações, diz a Casa de Rui Barbosa, houve mudanças como novas ilustrações nas capas; expansão das temáticas dos poemas; diminuição do número de páginas dos folhetos, por conta do barateamento e popularização do cordel; e extinção do estilo de folhetim, em que se mantinha uma mesma história por mais de uma edição. Além dos poemas, o site também reúne trabalhos como teses e artigos sobre a literatura de cordel.Fonte: Nexo



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