Ricardo Lísias na BSP

Neste sábado, 25 de março, a Biblioteca de São Paulo (BSP) realizou mais uma edição do programa de bate-papo com o escritor Segundas Intenções. O convidado do mês foi Ricardo Lísias. A conversa foi conduzida pelo jornalista Manuel da Costa Pinto e abordou a trajetória literária, suas inspirações e mostrou um pouco de seu processo criativo.

Lísias é doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Autor de mais de dez livros, um destaque na sua bibliografia é o romance Divórcio. No Segundas Intenções disse que a obra pretende discutir questões o narrador na literatura contemporânea. Isso porque ele mesmo – ou um alter ego chamado Ricardo Lísias – é o protagonista da obra. Assim também foi em O céu dos suicidas e Delegado Tobias, seus mais recentes romances.

São essas falsas biografias que movem a sua literatura, que contém também um forte elemento político e um enigma sobre a representação. “Há um jogo, isso não resta dúvida. Pretendo discutir nessas obras as diferenças entre a arte e a literatura”, comentou.

Em O céu dos suicidas ele narra a amizade entre Ricardo Lísias e um de seus grandes amigos, André, que cometeu suicídio. Em Divórcio, relembra a separação do narrador Ricardo Lísias com uma jornalista, enquanto o protagonista corre a São Silvestre. “Nunca achei que era um livro sobre mim, mas sobre a forma como é feito o jornalismo atualmente. As pessoas me paravam e diziam que conheciam os protagonistas. Na verdade, eles não existem”. Lísias – o autor – foi casado com uma jornalista.

Em Delegado Tobias, a coisa radicalizou. Neste folhetim publicado em cinco volumes, o personagem Ricardo Lísias morre. O acusado também se chama Ricardo Lísias. Afinal, quem é Ricardo Lísias? A resposta do livro está nas entrevistas com escritores, críticos literários e jornalistas reais, que aparecem como personagens na narrativa.

Mas o Ministério Público não ficou tão feliz com essa abordagem. Lísias, o autor, foi processado e teve de ir a Polícia Federal. A acusação seria uma falsificação de um inquérito policial – na verdade tudo fazia parte da campanha de marketing do livro nas redes sociais. Ele foi à delegacia e explicou toda a história. O delegado entendeu e pediu o arquivamento do processo.

Seu mais recente volume, A vista particular, narra a história de um artista plástico relativamente bem-sucedido que vira meme no You Tube. Para sua próxima exposição, ele leva a favela do Pavão-Pavãozinho para Inhotim, em parceria com Biribó, o traficante do morro. Lá o consumo de drogas é permitido, já que se trata de uma obra de arte. Obviamente, o livro é uma sátira e uma crítica aguda aos absurdos do cotidiano.



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