Clarice é assunto no Clube

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Olivia da Ressurreição e Alessandro Mauro. (Crédito: equipe SP Leituras).

Por Sofia Sales


O Clube de Leitura deste mês na Biblioteca de São Paulo foi desafiador, cheio de reflexões e relatos emocionantes sobre a imersão que Clarice Lispector proporciona ao leitores de A paixão segundo G.H.

A obra conta os pensamentos e sentimentos de G.H, que despede a empregada e decide limpar um quarto de serviço que ela imagina estar uma bagunça. Após recuperar-se da frustração de encontrar o quarto limpo e organizado, ela depara-se com uma barata. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco.

Em meio a esse cenário foi praticamente unânime o incômodo e a complexidade que o livro remete, mas as diversas impressões debatidas durante o encontro enriqueceram a compreensão e despertaram relatos e sensações pessoais de cada participante.

Olivia da Ressurreição tem 74 anos, é professora aposentada e diz ter ficado encantada com a capacidade da autora de colocar em palavras tantos sentimentos. “Eu tenho muita coisa que eu sinto mas é difícil saber expressar, colocar em frases. Para a Clarice parece que não, ela mergulha. Isso nos ajuda a entender quem somos, o que sentimos.”

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(Crédito: equipe SP Leituras).

 

O mais legal do Clube de Leitura, além de discutir sobre o livro do mês, é a capacidade de agregar novos leitores. Alessandro Mauro se classifica como um novo leitor. Aos 41 anos, o policial rodoviário tem descoberto o mundo dos livros e se encantado. “Estou indo em busca de clubes, de encontros e cheguei neste livro da Clarice e aqui na biblioteca. Não leria se não fosse por causa do Clube. No começo eu não estava entendendo nada, quase desisti. Foi quando parei de tentar entender o livro e comecei a senti-lo que entrei na obra. Fui provocado e até agora estou maravilhado.”

Conversando, os participantes chegaram à conclusão que ficar sozinho e conversar com a G.H, acompanhar de fato a personagem, ajuda a entender melhor o livro e de fato imergir na história. Desconstruir o processo de comunicação racional e tentar apenas se comunicar é o maior desafio desta obra. A questão é que você termina o livro cheio de dúvidas, mas se conhecendo um pouquinho mais.

Veja o link da entrevista que foi exibida na ocasião:

Imagem de Amostra do You Tube
E para quem ama ler e adora debater sobre livros, histórias e experiências durante a leitura, em junho é a vez do Mulheres de Cinza, do Mia Couto. O encontro acontece no dia 22, às 15 horas.



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