Segundas Intenções – Beatriz Bracher

Neste sábado, 20, foi realizado o Segundas Intenções de maio com a autora Beatriz Bracher. A conversa teve mediação do jornalista Manuel da Costa Pinto e falou sobre toda a carreira da autora, traçando um percurso de vida e obra.

A autora nasceu em São Paulo em 1961. Publicou os romances Azul e dura (2002), Não falei (2004) Antonio (2007), Anatomia do paraíso (2015) e os livros de contos Meu amor (2009) e Garimpo (2013), todos pela Editora 34. Escreveu com Sérgio Bianchi o argumento do filme Cronicamente inviável (2000) e o roteiro do longa-metragem Os inquilinos (2009). Com Karim Aïnouz escreveu o roteiro de seu filme O abismo prateado (2011).

Antes de começar a publicar livros, ela foi por 8 anos editora (e fundadora) da Editora 34. “Quando saí da editora, tive um ano sabático. Ali, comecei a ter coragem e menos autocrítica para escrever”. Manuel analisa que todos seus livros são muito diferentes entre si, seja na forma, no conteúdo, ou nas vozes dos narradores. “Acredito que a literatura é quase o único jeito de se chegar a verdade”, disse no auditório da BSP para um público de cerca de 30 pessoas.

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Crédito: Equipe SP Leituras

 

Azul e dura, por exemplo, conta a história de Mariana, uma mulher de quarenta anos que atropela e mata uma garota do seu bairro. Alguns anos depois, ela tenta entender o contexto do acidente e a crise moral que ele desencadeou, bem como o fim de seu casamento.

Não falei é uma longa reflexão de Gustavo, um homem de 64 anos que está prestes a se aposentar e que tem que se deparar com a acusação velada que ele teria delatado um parceiro que morreu durante a ditadura militar.

Antonio traz diversas vozes narradoras que contam a Benjamim quem foi seu pai. Recolhendo essas memórias alheias, ele montará o quebra-cabeças da história de sua família. “Me inspirei em William Faulkner, que escreveu Enquanto agonizo e em Lúcio Cardoso, de Crônica da casa assassinada”. O livro ficou em terceiro lugar no Prêmio Jabuti, na categoria romance.

Anatomia do paraíso foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2016, o mais importante prêmio literário brasileiro dedicado somente a romances. Traz a história de Félix, estudante que escreve uma dissertação de mestrado sobre o Paraíso perdido, poema épico de John Milton, e Vanda, sua vizinha, que se divide entre trabalho, estudo e os cuidados com a irmã mais nova. “Comecei a ler o poema de Milton e achei que tinha tudo a ver com a minha história. Essa história era para ser um conto, mas ganhou força própria”.

Sobre seus contos, ela diz que “suas obras tendem a ser mais experimentais”. Em 2009, recebeu o Prêmio Clarice Lispector por Meu amor.

E que seu trabalho no cinema está intimamente ligado a presença de Sérgio Bianchi, um parceiro de longa data. “Eu não conhecia nada de cinema. Ele me explicou tudo, desde como trabalhar com continuidade até escrever roteiros”, finaliza.

Confira vídeo na íntegra do encontro acima.

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Crédito: Equipe SP Leituras

 



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