Curso de Literatura para vestibular

Crédito: Equipe SP Leituras

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A Biblioteca de São Paulo (BSP) continua a promover em setembro o Curso Pré-Vestibular de Literatura, nas terças e quintas-feiras, das 15 às 17 horas. Neste aulão, o professor Edson Lopes fala das obras que vão ser cobradas no vestibular da Fuvest 2018, além de explicar um pouco da biografia dos autores e do contexto histórico. A ação tem sido muito bem-sucedida, dado o interesse dos estudantes no tema. Ao fim da atividade, eles conseguem entender melhor os textos e ficar (um pouco) mais preparados para as provas. Na terça-feira, 5, o encontro foi sobre Claro enigma, do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Edson é mestrando em literatura na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador voluntário do Cursinho Popular Carolina de Jesus. Começou a aula falando do ano de publicação da obra, em 1951. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado há pouco, a Guerra fria estava em seus primórdios e a Guerra da Coréia tinha iniciado um ano antes.

Esse contexto influenciou Drummond. Em Claro enigma temos um autor de quase cinquenta anos, com uma maturidade intelectual, estética e existencial. A obra é considerada hermética por muitos críticos, o que não impediu o jornal Folha de S. Paulo de escolher um dos textos, A máquina do mundo, como o melhor poema brasileiro de todos os tempos.

curso pre-vestibular de literatura da fuvest na bsp (6)

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Nesta fase, escreve em tons sombrios, um pouco desencantado, trazendo uma melancolia e saudosismo e retornando ao rigor estético clássico. Seus sonetos (alguns deles alexandrinos) têm rimas, métricas e estrofes, fugindo da linguagem coloquial. De certa maneira, ele se opõe ao que o modernismo, movimento que integrou três décadas antes, propunha.

O famoso poeta é um tanto crítico ao socialismo, decepcionado com as contradições sistêmicas, como se o seu lado revolucionário tivesse sido corroído pela realidade. Busca então soluções metafísicas, filosóficas e intertextuais. “Ele está questionando o seu momento poético num livro que é um pouco pessimista, desgostoso e que traz claras referências a sua obra passada”, afirma o professor. No auditório da BSP, ele também falou de outros poetas como Mario Quintana, Manuel Bandeira e Ferreira Gullar.

“Vocês não estão acostumados a ler poesia, acham chato pra caralho?”, pergunta Edson aos alunos. “É bonito demais. Uma dica, não leiam este livro no busão. Leiam em casa, uma poesia por semana. E releiam, com bastante atenção. Tentem capturar o significado. Este não é um livro para o vestibular, é um livro para a vida”, comentou o professor.

Os alunos gostaram da iniciativa da biblioteca. “O mais interessante foi a interatividade e a participação de todos. Isso faz a diferença”, afirma a estudante Jennifer Sakai, 19 anos. Ela vai tentar o vestibular para Letras na Universidade de São Paulo (USP) e esta foi a sua primeira aula.

Maria Eduarda Ida, 18 anos, concorda. Ela está fazendo cursinho para passar em medicina ou psicologia. “Eu vim aqui porque amei o livro de Drauzio Varela, Estação Carandiru. E aqui é tão bonito que você nem sente o peso daquelas histórias. Outra coisa legal é que a BSP vai discutir a lista inteira da Fuvest e não só os livros que todo mundo já sabe o enredo, como Mayombe e a Minha vida de menina. E curti muito o professor, ele é mais jovem, muito natural e não é tão certinho”, disse.

O aposentado Sebastião Paz, 70 anos, não vai prestar o vestibular, e veio aproveitar a atividade como uma palestra. Formado em Letras e em Filosofia, tem um claro interesse em literatura. “Vim para refrescar a memória, alguns livros já li há muito tempo. Outros, como o do Pepetela, li agora. Pego muitos livros na biblioteca e também tenho muitos em casa. Não sei onde pôr e o que é pior: não dá para ler todos os livros”, conta.

Confira a agenda dos próximos encontros –>

Na terça, 12 de setembro, a galera vai ouvir sobre o Mayombe, do angolano Pepetela. Na quinta-feira, 14, a aula é sobre o clássico Sagarana, de João Guimarães Rosa. No dia 19, o debate é sobre Minha vida de menina, de Helena Morley e no dia 21, o livro A cidade e as serras, do português Eça de Queiróz, será discutido. A ação é gratuita e não é necessário realizar a inscrição (é só chegar).

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