Heloísa Prieto: a busca pelo narrador interno de cada um.

2

Heloísa Prieto é uma das principais autoras da literatura infanto-juvenil brasileira. Com mais de 40 livros publicados, vários prêmios importantes e textos para teatro, cinema e televisão (destaque para o Castelo Rá-Tim-Bum), ela é muito ligada à contação de histórias e à oralidade das tradições brasileiras. Recentemente, seus livros da série Mano, criada em conjunto com o jornalista Gilberto Dilmenstein, receberam adaptação para o cinema, com o filme As Melhores Coisas do Mundo.

Nesta terça-feira, 20 de agosto, Heloisa veio à Biblioteca de São Paulo para um animado bate-papo dentro do programa Mapa da Leitura – projeto da Secretaria de Estado da Cultura que procura localizar e promover iniciativas que incentivem a leitura.

A autora falou sobre sua carreira e relação com a leitura. Na plateia estavam presentes três de suas ex-alunas da oficina de criação literária da Unesp. As três conseguiram publicar suas histórias após os encontros.

Heloísa contou que gosta de trabalhar temas como terror e medo, que normalmente faz muito sucesso com os jovens. Ênfase para o livro Cidade dos Deitados, história que se passa no cemitério, baseada em conversas e memórias da autora com sua tia Marina, hoje com 95 anos.

“Meia-noite, sexta-feira 13, o pneu do carro fura em frente ao cemitério. É só o começo da aventura narrada por uma garota. A autora conduz o leitor por uma cidade habitada por seres aparentemente deste, mas, na verdade, de outro planeta. As ilustrações carregam referências do mundo gótico, punk e rock’n’roll, para retratar os vultos fantasmagóricos.” (Sinopse da Cidade dos Deitados, pela Livraria Cultura.)

Heloisa também é muito ligada à cultura indígena. Contou de uma ocasião em que trabalhou em aldeias. Para estimular a produção literária dos índios, decidiu premiar quem entregasse primeiro uma história completa. Ninguém se manifestava e ela não entendia o que estava acontecendo. O cacique depois explicou que eles não eram competitivos. Se Heloísa premiasse aquele que entregasse primeiro, eles esperariam todos terminarem, para que pudessem dividir o prêmio. Lição de vida.

Além de dar muitas dicas e compartilhar experiências com a leitura em sala de aula e a mediação para diversas idades, a autora orientou os participantes a fazer listas de livros. Descobrir seus livros mais odiados e os mais amados. Deu ênfase aos “livros secretos”, aqueles que você não pode contar pra ninguém que gostou. Ela citou O Alquimista, de Paulo Coelho, e O Pequeno Príncipe, que segundo ela virou “livro de miss”.

Traçar o “perfil de leitura” individual é muito importante para estabelecer o narrador interno de cada um. Aquele que adiciona seu toque pessoal ao texto, à narrativa de cada autor, no momento em que for ler ou contar a história para alguém.

Heloísa Prieto também frisou a importância do mediador de leitura como alguém que abre as portas dos leitores para novas experiências. Citou como exemplo a série Crepúsculo, da autora norte-americana Stephenie Meyer – a história do amor ideal num universo vampiresco, voltado para adolescentes. Ao invés de julgar a qualidade ou o teor da obra, cabe ao mediador apresentar títulos que possam aprofundar e estimular esse interesse.

Segundo a escritora, é importante dar continuidade ao tema que despertou interesse ao leitor no primeiro momento. No caso de sua palestra, poderia ser a série de livros sobre vampiros, de Anne Rice, ou, óbviamente, Drácula, de Bram Stoker. Afinal de contas, como diz Pedro Bandeira: “O livro leva ao livro”.

Texto por Cauê Madeira

Foto por Camilo Árabe

Compartilhe

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Gostaria do contato da Profª. Drª. Heloisa Prieto, para uma entrevista por telefone sobre como criar uma lenda urbana. Se trata de um trabalho acadêmico sem fins lucrativos para a Faculdade Hélio Alonso, Rio de Janeiro.

    No aguardo, Ana.

  2. Pingback: Formação com Heloisa Prieto | Biblioteca SMED - Porto Alegre (RS)

Deixe um Comentário