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BSP: A realização de um sonho

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Era uma vez…”

Foi assim que Adriana Ferrari, Coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, iniciou o bate-papo em mais um encontro da série Segundas Intenções. A idealizadora da Biblioteca de São Paulo fez uma retrospectiva dos projetos criados para incentivar a leitura no Estado, passando pela aprovação da concepção da Biblioteca Pública, em 1989, e do Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo, em 1984, até a do programa São Paulo: Um Estado de Leitores, em 2003.

Lia Rosenberg, Diretora Executiva da SP Leituras (à esq.) e Adriana Ferrari (à dir.)
Público participa do bate-papo com Adriana Ferrari no auditório da Biblioteca de São Paulo

Adriana contou como foi o início do seu trabalho de assessoria na área de bibliotecas e leitura, em 2007, com o então Secretário Estadual de Cultura, João Sayad. A missão era dar continuidade aos programas de incentivo à leitura, instituídos pelo Sistema de Bibliotecas Públicas. Para isso, era preciso encarar desafios: buscar recursos financeiros para a aquisição de livros; mudar a visão de que “biblioteca é um lugar com um monte de livros empoeirados, onde sempre há alguém pedindo silêncio“; redefinir o papel da biblioteca e chamar a atenção dos prefeitos para a importância dessa causa, com a intenção de atingir a meta de implantar uma biblioteca pública em cada um dos municípios do Estado de São Paulo. No entanto, em suas conversas com os prefeitos, Adriana se deparava sempre com a mesma dificuldade: não tinha exemplos práticos para mostrar.

Foi dessa dificuldade que nasceu a ideia da Biblioteca Modelo de Incentivo à Leitura – hoje Biblioteca de São Paulo -, projeto que poderia ser apresentado aos municípios e utilizado como exemplo para repaginar as bibliotecas existentes. Depois de muitas pesquisas para identificar as melhores práticas no Brasil e no exterior, Adriana chegou a dois modelos de referência: as bibliotecas do Chile e da Colômbia. Em suas visitas a esses locais, percebeu que a característica centralizadora da biblioteca da Colômbia não combinava com o projeto e, por esse motivo, o modelo implantado no Chile foi a fonte de inspiração.

Após a aprovação do projeto pela Secretaria de Estado da Cultura, um novo desafio: encontrar um lugar para a instalação da biblioteca. Dois fatores foram determinantes na escolha do local, que abrigou o Complexo Penitenciário do Carandiru: a facilidade de acesso, garantida pela estação de metrô, ao lado, e a possibilidade de inclusão social e cultural, em uma área até então marcada pela violência e degradação urbana.

Outro desafio era desvincular a prática da leitura da ideia de “atividade chata”. Para tanto, até mesmo as questões relacionadas à estrutura física do prédio tiveram que ser repensadas. As referências das bibliotecas de estudo foram descartadas, para que fosse possível a criação de ambientes com intervenções lúdicas, com mobiliário colorido, que possibilitassem a interação entre as pessoas, características que refletem a ideia de biblioteca viva.

A idealizadora da BSP ainda ressaltou a importância da equipe que trabalha na biblioteca, que deve ser composta por pessoas sensíveis à causa, por “gente que gosta de gente e que gosta de ler“. Contou com alegria que a meta prevista no projeto de 500 visitas diárias foi há muito tempo ultrapassada – hoje, a BSP recebe cerca de mil visitas por dia.

Missão cumprida? Nada disso. Adriana Ferrari adiantou alguns detalhes do projeto de ampliação da BSP e falou sobre a nova etapa dessa missão, que vai envolver reforma de bibliotecas, ampliação de acervos, investimento em formação de pessoal e dinamização dos serviços oferecidos.

Antes de abrir espaço para as perguntas do público, Adriana Ferrari finalizou a história da Biblioteca de São Paulo, citando Madre Teresa de Calcutá, com a voz embargada pela emoção:

 

“Não é o que você faz, mas quanto amor você
dedica no que faz que realmente importa.”

 

Texto por Denise Trolezi

Fotos por Renato Medeiros

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