Leitura para os ouvidos

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José Arnaldo dos Santos, 30 anos, desenvolveu um método muito particular de leitura: ele associa cada letra do alfabeto a um número de 1 a 23. Morador do Arsenal da Esperança, um albergue na Zona Leste, ficou sócio da Biblioteca de São Paulo há pouco tempo. Apesar da dificuldade para ler e escrever, demonstrou curiosidade pelo nosso acervo e muita paixão por aventuras.

Karina Lopes, atendente da BSP, lê O código Da Vinci para José

Como José só consegue decifrar algumas palavras pelo seu método de números, foi acolhido pela equipe da biblioteca, que passou a fazer mediação de leitura para ele. “Todos os funcionários são muito legais. Adoro quando eles leem para mim. Acho que isso poderia acontecer sempre!”, avalia o sócio. A animadora de leitura Ana Lúcia Ribeiro, que trabalhou na BSP, ajudou José a retomar hábitos de leitura e escrita. Kadu Braga, Keila Sena e Karina Lopes fazem mediação de leitura de livros que ele escolhe, como O código Da Vinci (Dan Brown) e O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien). “Acho tudo isso um processo diferente, pois sempre fiz mediação de leitura com crianças e ler para um adulto, é outra história. Para mim é uma grande experiência”, admite Keila.

Não é de hoje que a mediação de leitura é realizada na BSP. Muitas crianças têm tido o prazer de ouvir histórias contadas pelos animadores de leitura no piso infanto-juvenil. Com os adultos, é um pouco diferente: nem todos estão dispostos a ouvir uma história. Mas com jeitinho, o trabalho de mediação vai fazendo com que as histórias sejam disseminadas de uma maneira mais livre.

Tenho o maior orgulho de disseminar a leitura. Acredito que o importante é fazer com que todos tenham acesso a ela, independente de como chega ao leitor: lendo com os próprios olhos, ou sendo apreciada pelos ouvidos”, afirma Karina.

Texto por Karina Lopes

Foto por Renato Medeiros

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