Família de leitores

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Para aqueles que enxergam é difícil reconhecer os benefícios que alguém sem visão ou com problemas de visão pode desenvolver devido, justamente, à deficiência.

A Ana Paula, sócia da Biblioteca de São Paulo, por exemplo, encontrou no fato do acervo em braile ser pequeno – se comparado ao acervo comum –, um estímulo para conhecer todos os livros. Ela lê o título e o assunto de cada livro através do toque.

Assim, a Ana Paula consegue ter uma experiência pela qual poucos sócios passaram, que é a de dominar o acervo em braile da BSP. Isso, associado à excelente memória desenvolvida pelas pessoas com deficiência visual, faz com que ela possa levar consigo, mentalmente, todos os títulos do acervo, fazendo com que ele seja seu. Sonho de todo leitor.

Da minha mesa de trabalho avistei a Ana Paula tateando, lendo os livros nas estantes. Fui oferecer ajuda e, como não é raro por aqui, eu é que acabei sendo ajudado a perceber uma nova dimensão da relação que podemos estabelecer com os livros.

A biblioteca representa então um espaço no qual podemos, deficientes e não deficientes, ser integrantes de um grande grupo, de uma grande família: a família de leitores.

Texto por Marcelo Souza

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