Dia do Escritor

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A gente se torna escritor porque quando você escreve, alivia o coração. Ao colocar algo que te perturba no papel, você se ‘desperturba’ daquilo“. Foi assim que o escritor Fernando Bonassi definiu a essência da sua profissão. O escritor fez essa declaração em abril de 2010, quando a Biblioteca de São Paulo foi cenário de uma edição do Entrelinhas, programa da TV Cultura dedicado aos livros e à literatura.

A gravação, que você pode conferir no vídeo abaixo, teve foco em dois temas: a transformação da extinta Casa de Detenção de São Paulo no Parque da Juventude e a produção literária que explora relatos sobre o sistema carcerário, abordada através de depoimentos de Bonassi, co-roteirista do filme Carandiru, e Luiz Alberto Mendes, que ficou detido por mais de 30 anos e transformou sua experiência na prisão em literatura.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

 

Quer saber mais sobre Luiz Alberto Mendes? O escritor será um dos próximos convidados do ciclo de bate-papos Segundas Intenções, realizado na BSP, do qual Bonassi já participou.

Na biblioteca você encontra o filme Carandiru e a obra que o inspirou – Estação Carandiru, de Drauzio Varella -, e o livro Memórias de um sobrevivente, de Luiz Alberto Mendes.

 

 

Memórias de um sobrevivente

Memórias de um sobrevivente

Luiz Alberto Mendes se tornou criminoso nas ruas de São Paulo. Escreveu estas memórias na prisão, onde cumpria pena por homicídio e outros crimes. Na obra ele oferece o testemunho de seu percurso e procura compreender a violência, o encarceramento e a dor, mas foge das explicações óbvias e da vitimização – afirma que um certo glamour e um gosto de liberdade o seduziram para o crime.

 

 

Estação Carandiru

O livro Estação Carandiru é resultado da experiência do próprio autor, Dr. Draúzio Varella, no maior presídio do país. A convivência com os presidiários e funcionários do presídio teve início quando foi desenvolvido o seu trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Esta convivência proporcionou o conteúdo do livro, onde o autor descreve desde a divisão física da Casa de Detenção, os pavilhões, até a sociedade carcerária e relatos de detentos e funcionários.

 

 

Capa

Carandiru – DVD

Numa cela da Casa de Detenção de São Paulo, o popular Carandiru, dois detentos se enfrentam num acerto de contas. O clima é tenso. Outro detento, Nego Preto, espécie de ‘juiz’ para desavenças internas, soluciona o caso em tempo de dar ‘boas vindas’ ao Médico, recém-chegado e disposto a realizar trabalho de prevenção à AIDS na penitenciária.

 

O Médico depara-se, no maior presídio da América Latina, com problemas como a superlotação, instalações precárias, doenças, além de pré-epidemia de Aids. Os encarcerados lamentam, além da falta de assistência médica, de assistência jurídica. O Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, constitui-se em grande desafio para o Doutor recém-chegado. Mas bastam alguns meses de convivência para que ele perceba algo que o transformará – mesmo vivendo situação-limite, os internos não são figuras demoníacas. No convívio com os presos que visitam seu improvisado consultório, o Médico testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, grande disposição de viver.

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