Antonio Prata na BSP

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Crédito: Equipe SP Leituras

Crédito: Equipe SP Leituras

Neste sábado, 26 de novembro, a Biblioteca de São Paulo (BSP) promoveu um bate-papo com o escritor Antonio Prata no Segundas Intenções. A conversa teve a mediação do jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto. No programa, Manuel falou que Antonio é o grande herdeiro da tradição da crônica literária e jornalística do país, seguindo nomes como Rubem Braga e Luis Fernando Verissimo. O moderador também contou que a crônica foi o gênero literário que melhor realizou as ideias modernistas da Semana de 22, onde os intelectuais queriam retratar a realidade brasileira com um linguajar mais próximo do coloquial.

Antonio concordou com as análises e disse que a simbiose da crônica e o jornalismo se deve à falta de fomento a atividade de escritor. Preocupados em pagar suas as contas, gerações de autores encontraram na imprensa um meio de sobrevivência. Ele mesmo, que atualmente é titular da Folha de S. Paulo e já escreveu para O Estado de S. Paulo, teve no início da carreira, a oportunidade de assinar textos para a Capricho, uma revista teen da editora Abril. “Achei meio estranho, era a revista que a minha irmã lia. Mas gostava de lá”.

O escritor falou que na crônica é possível tratar e retratar todos os assuntos. Afirma que os textos de Rubem Braga, considerado o mestre maior do formato, eram sobre qualquer coisa. “Ele falava de amizade, do amor, da família, dos costumes. Mas seus textos não tinham enredo. Eram lindos, mas não tinha uma ação, um plot. A crônica é uma literatura sem pompa, com irreverência, um gênero de fronteiras borradas”.

Falando sobre jornalismo, disse que não gosta de escrever sobre política, pois pensa que a crônica que não é um artigo de opinião. Acha que os diários têm outros espaços para essas ideias. Mas atualmente se vê chocado com a ‘virada a direita” que acontece no país e no mundo e, às vezes, acha necessário abordar a temática em suas colunas. “A opinião, em certa medida, tornou-se uma mercadoria. Mas sempre é necessário marcar uma posição”.

Após a conversa sobre política, Antonio comentou sobre seus livros, incluindo o mais recente lançamento, o infantil Jacaré, não!  Disse que gostou de escrever para crianças e pensa em novas experiências. Na sequência, comentou sobre alguns dos 11 livros que lançou.

Um deles é Meio intelectual, meio de esquerda (Editora 34), vencedor do Prêmio Brasília de Literatura na categoria Contos e Crônicas. E claro, o best-seller Nu, de botas (Companhia das Letras), quando o autor arrancou risos da plateia com alguns causos de seus causos, que narram a vida de um garoto de classe média nos anos 80 e 90. O êxito foi tão grande que ele deve lançar uma continuação, onde vai narrar parte de sua adolescência, cujo título provisório é Moletom, a ser lançado em breve.

Em dezembro a BSP não vai promover o Segundas Intenções por conta das festas de fim de ano. No dia 3, o programa será realizado na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) com o escritor e biógrafo Lira Neto. A atividade está marcada para 11 horas e terá a mediação de Manuel da Costa Pinto.

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