Crianças discutem literatura na BSP

Crédito: Equipe SP Leituras

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Neste sábado, 26 de agosto, a Biblioteca de São Paulo (BSP) promoveu a primeira edição do Clube de Leitura para Jovens, das 14h30 às 16h30. A ideia é discutir entre agosto e novembro quatro livros relevantes da literatura infantojuvenil e deixar que crianças de 11 a 14 anos falem sobre a obra, perguntem, tirem dúvidas e estejam envolvidas com histórias e personagens que estão impressas nas páginas da nossa literatura. No dia, foi debatido Os meninos da biblioteca, de João Luiz Marques.

Além de escritor, Marques também é o moderador da atividade. Jornalista de formação, atua como assessor de imprensa especializado no mercado literário e coordena clubes de leitura em outros locais da cidade. Mantém também o blog Le-Heitor, onde abre um canal de comunicação com o seu público. Saiba mais neste link —> https://goo.gl/zRpfKJ.

No encontro, apontou as razões para criar o livro, cuja primeira edição saiu em 2015. Comentou que teve que pedir autorização para usar personagens de outros escritores, eles têm uma participação importante no livro. Marques cita, por exemplo, Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato e O alienista, conto de Machado de Assis. Fez também um panorama do texto, mostrando as características e contradições de cada personagem, explicitando as referências que a compõem. Disse até coisas relacionadas a design, explicando aos pequenos o que é a escala de cor Pantone.

A trama tem como figura central o Heitor, um garoto muito inteligente que descobre que uma biblioteca no bairro do Itaim Bibi está para ser fechada. Descontente com a situação, ele e um grupo de amigos agitam manifestações de apoio, falam com as autoridades e pensam em diversas estratégias para que o espaço não tivesse as atividades encerradas. “O Heitor já era um personagem de blog, mas queria virar livro. Quando ele vai na biblioteca, descobre que vai ser demolida. Então ele abraça a causa, pois já tinha uma relação afetiva com o espaço”, disse Marques.

De certa maneira, Heitor é o alter ego de Marques. O escritor esteve envolvido na história real que aconteceu entre os anos 2011 e 2012. Na época, a prefeitura queria demolir o espaço onde fica localizada a Biblioteca Anne Frank, na região sudoeste da capital paulista. A ideia era vender a área para construtoras e usar o dinheiro obtido para construir creches em bairros da periferia. Marques integrou um movimento de oposição ao projeto, que culminou com o tombamento do prédio. Ou seja, a biblioteca não pode mais ser demolida ou modificada. Heitor, o personagem, ganhou até uma placa de agradecimento da Câmara dos Vereadores. O jornal O Estado de São Paulo escreveu sobre este caso —> https://goo.gl/ynvYUT.

Aí surgem alguns aprendizados para as crianças que estavam na BSP. O que é realidade? Ela é diferente da realidade do livro? Existe uma realidade que só está no livro? Um livro pode se inspirar em fatos reais? Marques é o Heitor? Ou são pessoas diferentes? Aliás, Heitor é uma pessoa? Todas essas questões – que não têm respostas fáceis – foram colocadas em pauta e explicadas pelo moderador e pelos adultos que acompanhavam a atividade. E o resultado foi uma experiência muito rica para todos.

Jorge, 9 anos, chegou na BSP dizendo que queria ser escritor. Já está escrevendo – com a ajuda da mãe – uma pequena fábula, em que um garoto e uma garota que ficam do tamanho de formigas e vivem muitas aventuras para voltar ao normal. “Escrever não é o meu forte. Sou melhor em matemática. Mas gosto muito de ler, especialmente antes de dormir. Tem amigos meus que moram perto desta biblioteca e não gostam de ler. Como pode, né? Aqui não só dá para ler, como mexer na internet. É muito legal”.

Crédito: Equipe SP Leituras

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Ele gostou tanto da ideia do Clube que trouxe anotado num papel as questões que queria fazer ao escritor. Não só fez todas as perguntas, como garantiu a presença no próximo encontro, que acontece no dia 30 de setembro. Neste dia, vai ser explorado o clássico Um bolo no céu, de Gianni Rodari, um jornalista, escritor e poeta italiano especializado em literatura infantil.

Este livro tem uma trama misteriosa: e se um dia aparecesse no céu uma espécie de disco voador? Os adultos logo pensariam em uma invasão de extraterrestres, chamariam o exército e recrutariam cientistas. Mas quando isso acontece em Roma, duas crianças não acreditam nas aparências e começam uma investigação.

Nos meses seguintes, vão ser discutidos Os meninos da rua Paulo, de Ferenc Molnár e O alienista, de Machado de Assis.

Fique atento a programação da BSP pelo site ou pelas redes sociais. E compareça!



Comentários

3 comentários | Comente »

  • Por Iara em 5 de setembro de 2017 às 20:15

    Os meninos da Biblioteca, leitura fácil para jovens e bem dinâmica, envolve na ação conjunta para se alcançar um ideal.

    Responder

    • Por Wendel Martins em 6 de setembro de 2017 às 12:19

      Que legal :D
      Abraços da Equipe BSP

      Responder

  • Por BSP celebra Harry Potter | Biblioteca de São Paulo em 21 de setembro de 2017 às 16:53

    […] Ficou curioso? A atividade está marcada para o sábado, 30, às 14h30. Saiba como foi a primeira edição neste link. […]

    Responder

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