Clube de Leitura Jovem na BSP

Crédito: Equipe SP Leituras

Crédito: Equipe SP Leituras

Uma atividade que está se tornando um sucesso na Biblioteca de São Paulo (BSP) aconteceu neste sábado, 30, às 14h30. Foi a segunda edição do Clube de Leitura Jovem, que discutiu com crianças o livro Um bolo no céu, do jornalista, escritor e poeta Gianni Rodari. Estavam presentes cerca de 10 pessoas, entre crianças, pais e responsáveis. No evento, falou-se da obra, do autor italiano, de fábulas infantis e das diferenças entre a visão de um adulto e de um adolescente sobre um mesmo fato. Também se deu uma leve introdução do próximo livro a ser analisado: Os meninos da rua Paulo, de Ferenc Molnár.

A ideia da biblioteca é buscar uma aproximação do público adolescente de 9 a 14 anos com a literatura. Quem conduz o diálogo é João Luiz Marques, escritor, jornalista e educador. Há mais de cinco anos ele mantém o blog Le-Heitor e pediu para a crianças presentes comentarem o texto dele sobre o evento deste sábado e assim ter uma maior interatividade no espaço virtual.

Um dos momentos mais interessantes do encontro foi quando Marques leu um dos primeiros posts de seu blog, que fala justamente sobre Gianni Rodari. Contou que este texto o incentivou a desenvolver a sua literatura, em especial o livro Os meninos da biblioteca, romance juvenil que abriu a série de encontros na BSP em agosto.

No blog, Marques escreve:

Então, outro dia estava lendo um livro irado, chamado Um bolo no céu. É do Gianni Rodari, um escritor italiano que eu gosto muito e que já morreu. O livro conta a história de um objeto não identificado que apareceu no céu de um bairro de Roma causando a maior confusão na cidade. Uma história muito engraçada! Os adultos pensaram que fosse um disco voador e que os extraterrestres preparavam uma invasão à Terra. Chamaram até o exército para se defender da ameaça. As crianças tinham certeza que era, mesmo, um bolo gigante. A notícia se espalhou e uma multidão de crianças veio correndo de todos os bairros de Roma para experimentar o delicioso bolo gigante que caiu do céu.

Gostei tanto da história que me deu vontade de dizer isso para editora que publicou esse livro. Queria agradecer, comentar, sei lá, conversar com eles. Procurei no livro o endereço e o telefone da editora. Ela se chamava Biruta, Editora Biruta.

Confira a íntegra neste link —-> https://goo.gl/DZ3Wtq

Feita essa introdução, o moderador perguntou então o que é mais lógico: ter extraterrestres na Terra ou um bolo no céu? A garotada respondeu um bolo, óbvio. Isso foi motivo de muitas risadas. Na sequência, leu diversas passagens do livro e pediu comentários dos leitores mirins. Leu também na íntegra o conto folclórico O Flautista de Hamelin, escrito pelos Irmãos Grimm, o que gerou um interessante debate.

Inicialmente muito tímidas, as crianças ‘se soltaram’ e passaram a falar então das diferenças entre contos de fadas originais e as adaptações do cinema, especialmente as que a Disney fez. Estas histórias têm em sua maioria uma visão um tanto pessimista da realidade, muito próximo do terror moderno. Pertencem a uma tradição oral que atravessou gerações e permitem diversas leituras, além de ser uma forma de entender o contexto da época.

Em O Flautista de Hamelin, por exemplo, fica-se em dúvida sobre qual o destino das crianças atraídas pela ‘flauta mágica’. Para os pequenos presentes na BSP, elas foram para outro lugar, ‘um lugar mágico e sem os pais avarentos’. Marques infere que elas têm o mesmo destino dos ratos que infestaram a cidade e se divertiu com essa hipótese. Comentou ainda sobre as diferenças entre o modo de ver dos pequenos e dos adultos.

O QUE A GAROTADA ACHOU?

Henrique Augusto, 12 anos, falou que a mãe dele soube da ação da biblioteca e o convidou para participar. Ele não leu o Um bolo no céu, mas está se planejando para ler o próximo livro. Vem na BSP pelo menos uma vez por mês, sempre aos fins de semana. Curte muito ficção científica e um dos seus autores preferidos é o francês Júlio Verne. “É muito legal o Clubinho porque ele trata de vários livros, literatura e traz novos autores. Gostei muito”.

Já Gabryella, 12 anos, tinha participado da primeira edição e achou o livro do escritor italiano muito criativo e engraçado. E pretende vir na próxima atividade, que acontece no dia 28 de outubro, no mesmo horário. “Este tipo de discussão é muito interessante porque permite mostrar diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto”.

Em outubro, a biblioteca vai debater o clássico infantojuvenil Os meninos da rua Paulo, que é o livro húngaro mais conhecido ao redor do mundo, adaptado para o cinema em diversas línguas. A obra denuncia a falta de espaço dos jovens na sociedade e sua popularidade se intensificou por ser uma metáfora universal sobre a transição para a vida adulta.

Será a penúltima edição do Clube de Leitura Jovem e também contará com a curadoria de Marques. Traga seu filho e participe!!!



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