Veronica Stigger na BSP

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O Segundas Intenções de setembro na Biblioteca de São Paulo (BSP) convidou a autora Veronica Stigger para um divertido bate-papo literário no auditório do equipamento da Secretaria da Cultura. O evento aconteceu no sábado, 30, e teve moderação do curador e crítico literário Manuel da Costa Pinto. Como em todo encontro, Veronica falou de sua trajetória literária livro por livro e contou um pouco de suas influências e escolhas: tanto as literárias, como as de vida. Comentou também sobre futuros lançamentos, de como estrutura suas narrativas de maneiras fragmentada, sejam elas contos curtos, prosas mais longas ou no único e premiado romance Opisanie Swiata, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2014 e do Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional de 2013.

A autora nasceu em 1973, em Porto Alegre, é jornalista, crítica de arte e professora. Tem uma importante trajetória acadêmica e doze livros publicados, com obras voltadas ao público adulto e infantil. Alguns de seus contos foram traduzidos para o catalão, o espanhol, o francês, o sueco, o inglês, o alemão e o italiano. São suas as obras mais recentes são Nenhum nome é verdade (2016) e Sul (2016). Para crianças, escreveu Dora e o sol (2010) e Onde a onça bebe água (2012), em parceria com Eduardo Viveiros de Castro.

O Segundas Intenções com ela teve um acentuado tom cômico e a escritora fez uma crítica a atual perseguição de artistas. Eles têm sido alvo de ataques nas últimas semanas em diversas partes do Brasil. Para ela, falta a estes movimentos políticos um certo entendimento do papel da arte: acha que a arte não tem uma função social ou educativa. Que a arte é arte por si só, tem uma característica transgressora e de questionamento da realidade.

Explicou por exemplo conceito do Ready-made, onde o próprio deslocamento de um objeto ou discurso de seu contexto original já pode ser considerado uma forma de arte. Essa ideia foi criada pelo francês Marcel Duchamp, quando o artista colocou um urinol de louça em exposição de arte nos Estados Unidos. A ideia dele é era desprezar as noções comuns à arte histórica e com isso, questionar o que é a própria essência da arte.

Ela, por sua vez, tem na apropriação e neste descolamento uma práxis e usa muito destes subterfúgios. Já fez livros reproduzindo um SMS enviado a uma pessoa próxima. Já fez livros usando e adaptando histórias contadas por amigos. Já fez livros com compilações de frases ouvidas na rua. Já fez contos sobre notícias extraídas de jornais.

Antes de se definir como ficcionista, gosta de dizer que é uma ‘mitômana’, ou seja, uma mentirosa compulsiva, que mente com tanta convicção que é capaz de crer na própria mentira e está sempre questionando para o leitor o que é e o que não é a realidade. O curador, Manuel, destaca nela uma inclinação para o humor negro, o uso de elementos absurdos e a presença marcante do sangue, da violência e da opressão. Ela concorda. “Sempre gostei de escrever e contar histórias. Gosto do escatológico, do perverso, do estranhamento da realidade, como se eu quisesse fugir de uma normalidade”, finaliza.

Quer saber mais?  Confira uma entrevista da autora ao Jornal Candido: https://goo.gl/MSVwFh.



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