Encontro de literatura e afeto


Por Sofia Sales

 

“O verbo ler é semelhante ao sonhar e amar. Não ensinamos, seduzimos, mostramos que riquezas esses verbos possuem.” (Pedro Bandeira).

Foi entre poesia e encanto que finalizamos o mês de outubro com a presença de Pedro Bandeira no Segundas Intenções, evento que aconteceu na Biblioteca de São Paulo (BSP) no dia 28. Um escritor que se dedica à literatura para crianças, um escritor que demonstrou de forma muito viva a sua alma de criança. A moderação foi da jornalista Adriana Couto.

Ele é formado em ciências sociais, trabalhou como jornalista, é casado com uma educadora infantil e tem uma capacidade enorme de dialogar com os jovens leitores, que se identificam com as histórias e ali descobrem o sabor da literatura.

No bate-papo, Pedro falou dos livros, da jornada como escritor e de como ele desenvolve as histórias. Ressaltou a importância da literatura como forma de manter viva nossa cultura, nosso imaginário e nossos aprendizados.

Crédito: Equipe SP Leituras

Crédito: Equipe SP Leituras

Com o auditório lotado, a troca de experiências com o público foi grande. Os presentes falaram de seus personagens preferidos, das diversas opiniões sobre as adaptações para o cinema, do primeiro contato com os livros dele, as identificações com as histórias, a descoberta pela paixão da literatura.

Uma mãe na plateia se definiu como uma leitora compulsiva depois do contato com a Droga da obediência, livro lançado em 1984. “Minha filha teve que ler para a escola, e eu li com ela. Durante a leitura fui me apaixonando, o contato com o livro de Pedro Bandeira me despertou o desejo de ler.”

Após diversos depoimento como esse, o autor afirmou que este é o maior prêmio que ele pode ganhar. “A importância do livro é ter leitores que se identifiquem com ele de alguma forma, quando ele vai para a cabeça das pessoas, a história se imortaliza.”

Crédito: Equipe SP Leituras

Crédito: Equipe SP Leituras

Os relacionamentos dos leitores com os personagens também foram discutidos e surpreenderam a plateia. Calu foi o mais citado na conversa. As meninas falavam com paixão e admiração sobre um garoto que existe nas páginas de Os Karas e no imaginário de cada uma. Mas Pedro não descreve o personagem, fala apenas que Calu era o menino mais bonito da sala. Esta afirmação despertou um espanto, o público percebeu que seus personagens favoritos eram também criados por elas. “O leitor é sujeito da literatura”, conclui Pedro Bandeira. “Vocês escrevem as histórias comigo”.

O encontro de duas horas abordou temas como, inspiração e a construção do repertório de cada pessoa, o papel da família e da escola na formação de leitores, a produção de conteúdo de qualidade em nosso país e a importância do gosto pela leitura para manter viva as histórias que são escritas e contadas e que fazem parte da nossa cultura. “Um quadro não existe se não há ninguém olhando. Com os livros é a mesma coisa, para que ele exista é necessário que alguém o escreva e que haja alguém para lê-lo.”

Crédito: Equipe SP Leituras

Crédito: Equipe SP Leituras

E o Segundas Intenções com o Pedro Bandeira nos deixou com várias mensagens de inspiração. “A literatura é identificação, é o contato com a arte, com diversas histórias e emoções que podemos sentir física e emocionalmente, mas sem vivência-las de fato. A arte nos amadurece”.

Para ninguém ficar triste, os encontros são disponibilizados no nosso canal do YouTube. E bate-papo de novembro será no dia 25 com os escritores Antônio Geraldo Figueiredo Ferreira e Sidney Rocha, às 11 horas.

 

É só ficar ligado na agenda da biblioteca e participar!



Comentários

Deixe seu comentário

Todos os comentários estão sujeitos a aprovação