Encontro às cegas

“Em resumo, não acontece nada nesse livro. E ainda assim, ele é extraordinário. Isso é tudo”. Você compraria um livro tendo essa única descrição como informação?

Pois essa é a proposta do projeto Encontro às Cegas, da Livraria Da Vinci, uma das mais tradicionais do Rio de Janeiro. Em meio às prateleiras e bancadas repletas de obras, os clientes se deparam com um espaço com um amontoado de livros embalados em papel pardo, com desenhos e informações escritas à mão na embalagem. É preciso decidir pela compra tendo como base apenas o que está escrito no pacote. Algumas indicações são mais descritivas, outras remetem ao espírito da história, mas são mais enigmáticas, como charadas.

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A livraria fundada em 1952 no subsolo do edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco, no centro do Rio, foi inteiramente reformada no ano passado, mas mantém uma pegada muito forte na seleção de obras que não estão no foco da chamada grande mídia. Lá, por exemplo, dificilmente você encontrará romances que deram origem ao filme X ou livros-reportagem sobre escândalos de corrupção.

A proposta é instigar o leitor a se aventurar em um cenário em que cada vez mais se recebe soluções prontas e promessas de satisfação imediata, o que remete à ideia por trás do projeto Encontro às Cegas.

Para quem não reside no Rio de Janeiro, a opção de se aventurar por enigmas como “Você pode trocar este livro por um post raivoso no Facebook. Mussolini daria like” está disponível na loja online da Da Vinci.

 

Fonte: Hypeness



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