Workshop Mediação: cultura, leitura e território é realizado na BSP

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Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras. Foto: Equipe SP Leituras.

Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras. Foto: Equipe SP Leituras.

A BSP sedia, entre 22 e 26 de outubro, o workshop internacional Mediação: cultura, leitura e território, promovido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo com o Siseb – Sistema Estadual de Bibliotecas PublicasSP Leituras e o Instituto Emília (revista Emília). Sílvia Antibas, da Secretaria de Cultura do Estado de SP, e Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras, falaram na abertura, recebendo os participantes. Do Espaço de Arte Binah, Stela Barbieri, educadora, artista plástica e escritora, foi a primeira palestrante do encontro

Stela tratou dos processos criativos dos escritores, ilustradores e o caminho da construção do livro. A escritora, que tem mais de 20 livros publicados, destacou a inclusão dos afetos que promovem a vitalidade nas relações de mediação, lembrando que esses encontros com os livros são sempre momentos que guardamos em nossas histórias. Ela, inclusive, recordou seus momentos na biblioteca de Araraquara, interior de São Paulo, onde teve seus primeiros contatos com os livros. Para a palestrante, o mediador poderia ser considerado um problematizador, no sentido de promover essa ignição, a fagulha do despertar para a leitura. Stela lembrou que é importante respeitar o modo peculiar que cada um de nós escolhe para e ao ler, dando exemplos de quem prefere ler no Metrô, no caminho para o trabalho ou para a casa ou a escola, aqueles que adotam o silêncio ou a música como trilha sonora etc. Ela recomenda que o mediador saia um pouco do “modo leitor” para a “experiência leitora”, em tudo o que faz.

A importância da escuta

A importância da escuta foi fortemente destacada por Stela. O acolhimento, segundo ela, nasce daí. A mesma força foi dada ao tema na tarde do primeiro dia, que contou ainda com as experiências compartilhadas por Vera Athayde, Marcos Felipe e Ferréz Escritor. O painel “O território e a mediação de conflitos pela cultura” somou ainda a experiência da pegadoga e historiadora Marilena Nakano, da rede Beija-flor de Bibliotecas Vivas de Santo André, que alinhavou os testemunhos desses profissionais. Vera falou sobre a OCA Escola Cultural, localizada em um patrimônio histórico (uma aldeia jesuítica de 1580), na Aldeia de Carapicuíba, em São Paulo. O projeto, por meio de repertório variado (oficinas de literatura, dança, rodas de conversa etc.), visa garantir a valorização da cultural brasileira e o encontro das pessoas da comunidade com suas raízes ancestrais.

Marcos Felipe, da Cia. Mugunzá de Teatro, lembrou o início das atividades do grupo que decidiu ocupar um terreno no centro da cidade de São Paulo com contêineres, onde foi instalado um espaço teatral e de atividades culturais diversas. Marcos ressaltou a importância do movimento individual ou de grupos particulares ser acompanhado de um laço com o poder público, que tem, como ele frisa, a obrigação de estar presente nessa relação com a população. Na vizinhança de região habitada por uma grande população de dependentes químicos, quase invisível para os que passam ali, como explica ele, o teatro tem toda uma programação que atende desde os pequenos até os adultos. Há inclusive uma atividade mensal que é realizada somente para os mais debilitados.

Já Ferréz abordou a necessidade dos mediadores acionarem a escuta e a afetividade como facilitadores do acolhimento. A experiência do escritor espelha vários exemplos de aproximação com populações que viviam esquecidas ou nunca foram abordadas por agentes culturais. As questões básicas (alimentação, em especial) não podem ser negligenciadas nessa relação estabelecida pelo mediador nos territórios (que, aliás, estão onde o mediador está, segundo ele). Não se pode exigir que uma criança com fome queira ler, lembra ele, trazendo à tona questões de assistencialismo. Considerado um ícone da literatura marginal, por abordar temas recorrentes em regiões periféricas da cidade, Ferréz contou detalhes do surgimento da criação de uma biblioteca na comunidade e do nascimento da ONG Interferência, que funciona desde 2009, oferecendo educação, cultura e arte para crianças e jovens de 6 a 16 anos, na região do Capão Redondo, na zona Sul da capital paulista.

Presença internacional

A educadora argentina Maria Emília Lopez, da Universidade de Buenos Aires, foi o destaque internacional do evento e apresentou-se na quarta-feira, dia 24 de outubro. Maria Emilia, que é autora de livros e vem assessorando instituições do México, Colômbia e Brasil para o desenvolvimento de políticas públicas na área cultural, tratou da leitura na primeira infância e sua importância para a formação de adultos leitores. A especialista argentina falou sobre a afetividade nessa relação de mediação e destacou a importância do ler em voz alta, do incluir cantigas/canções na aproximação com os pequenos e sugeriu a leitura de uma obra, em capítulos, até para os mais idosos.

María Emilia descreveu experiências realizadas em vários países que muito se aproximam do que a própria BSP realiza nos programas Lê no Ninho (para crianças entre 6 meses e 4 anos), Leitura ao Pé do Ouvido e até mesmo do Clube de Leitura. Para ela, o trabalho de descrever/registrar o que acontece nas mediações contribui e muito no desenvolvimento e aprimoramento dessas experiências. Todos somos capazes de teorizar, diz Maria Emilia, que acredita na importância da criação desses verdadeiros cadernos “do fazer”. A tarde de 24 de outubro terminou com uma experiência conjunta, dos cerca de 90 participantes, em verdadeiros happenings de leitura, poesia e fotografia.

Experiências diversas

Para Ueliton Alves, da SP Escola de Arte, de São Paulo (SP), o workshop tem trazido importantes questões. Ele, que trata mais de adultos no espaço cultural, valoriza as questões como temática e formas de aproximação na mediação que acredita serem de importância vital na discussão do tema do workshop. Já para Regina Helena Monteiro, de biblioteca estadual da capital, o encontro com María Emília foi especial. Na opinião da bibliotecária, a afetividade e a palavra dita calaram fundo durante a palestra internacional. Para a contadora de histórias Rebeca, a experiência de María Emília também veio de encontro ao que realiza no cotidiano. Rebeca conta suas histórias utilizando a música clássica de fundo e envia esses textos falados para grupos de whatsapp (exatamente como a especialista argentina experimenta em seu trabalho).

Há ainda muito mais até o final dessa semana. Veja a programação completa do evento em http://siseb.sp.gov.br/programacao-workshop-internacional-mediacao-cultura-leitura-e-territorio/

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