Exposição A Zona Norte conta suas histórias

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A Biblioteca de São Paulo está recheada de memórias. Elas estão nas páginas dos livros, nas atividades culturais, em cada funcionário, em cada sócio e agora em uma bela exposição também. Ontem, 11 de dezembro, a BSP ganhou um espaço especial para reforçar que todo lugar tem uma história, e as pessoas são as melhores contadoras destas histórias.

A exposição A Zona Norte conta suas histórias, organizada pelo Museu da Pessoa, é composta pelo material resultante do trabalho de educadores, alunos e organizações sociais – como a SP Leituras -, que participaram do programa de formação do projeto Todo lugar tem uma história para contar. Com o foco na região Norte de São Paulo, o objetivo de registrar a história dos bairros e moradores locais ganhou vida e está na BSP.

Contação de histórias com a Cia. Mapinguary, show de rap com o cantor Lucido, homenagem aos participantes, relatos dos formadores do Museu da Pessoa e daqueles que participaram das capacitações foram as atividades que marcaram a inauguração. Com muita alegria, diversão, emoção e orgulho a mostra foi aberta a visitação.

Sobre o projeto

A partir de oficinas de formação, ministradas por Danilo Eiji Lopes e Márcia Elias Trezza,  os participantes se apropriaram das ferramentas metodológicas do Museu da Pessoa para o desenvolvimento e realização de atividades destinadas à preservação, ampliação e difusão da memória local. “O projeto preza muito que os alunos se apropriem da atividade, tomem decisões, conduzam as entrevista, distribuam funções para constituir um acervo de histórias orais da zona norte”. Reforça Danilo sobre o objetivo das capacitações.

Ao todo, participaram oito escolas, cinco organizações sociais, 12 educadores da rede pública municipal de ensino, 17 agentes sociais e 20 moradores da Vila Baruel, Vila Rica, Jardim Paraná, Casa Verde, Freguesia do Ó e Jardim Elisa Maria.

A exposição

Muitos olhares atentos, sorrisos e troca. A instalação, desenvolvida pelo cenógrafo Renato Theobaldo de Moraes, encantou todos que participaram do projeto. Criar uma linguagem para contar uma história é sempre o principal desafio de Renato neste tipo de projeto, que ficou feliz com o resultado do trabalho que mescla textos e desenhos. “A escrita se relaciona com o desenho em um plano de linguagem muito complexo. Conseguimos visualizar a vida, as experiências e referências das pessoas, conseguimos valorizar vários talentos”, diz ele.

O rapper Lucio Alves, mais conhecido como Lucido, foi um dos entrevistados do projeto e reforçou a felicidade em fazer parte da exposição. “Foi uma experiência muito transformadora. Sinto que foi a maior homenagem que já fizeram para mim. É um tijolo a mais na realização do meu sonho como artista e no sonho dessas crianças também, que tiveram a oportunidade de aprender e passar por novas experiências”, ressalta.

A BSP também participou do projeto. Além da exposição estar no piso infantil, a assistente social Maria Eulália Borges e a bibliotecária Deise Soares de Brito Zanardi fizeram a formação e entrevistaram Ed Carlos Silva Nascimento, que é auxiliar de leituras da biblioteca. E o aprendizado ultrapassou o compor uma história para o projeto. Eulália sentiu impacto no dia a dia de trabalho. “Para mim que trabalho com assistência social foi muito importante. Já estou familiarizada com o dialogar, mas entrevistar é um processo diferente, me ajudou compreender novas formas de aprofundar nosso contato com os sócios”, diz ela.

Todos as entrevistas realizadas durante o projeto estarão disponíveis no site do Museu da Pessoa a partir do dia 21 de dezembro e Eulália enxerga muitas vantagens na plataforma. “Saber que todo este projeto vai para o site do Museu é muito gostoso. Vamos poder relembrar o processo, conhecer outras histórias e espalhar nosso aprendizado. Isso é enriquecedor.”

O processo foi longo, com muitas pessoas envolvidas e o resultado não poderia ser diferente. A terça-feira foi de festa e reconhecimento não só da região como das pessoas que tornaram possível o resgate da memória oral. Bons ouvidos e boas histórias fazem dessa uma instalação especial, que fica na BSP até o dia 10 de fevereiro de 2019. Venha conhecer!

 

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