#bsp9anos: Djamila Ribeiro lotou auditório com o Segundas Intenções

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Foto: Equipe SP Leituras.

Foto: Equipe SP Leituras.

Djamila Ribeiro lotou o auditório da BSP, em 9 de fevereiro, dia de festa. A escritora participou do programa Segundas Intenções, que aproxima leitores e escritores, em bate-papo mediado pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, e atraiu uma multidão! Os fãs, que seguem Djamila nas redes sociais e acompanham suas palestras e trajetória, vieram em peso. Outros queriam conhecê-la melhor. Muitos tiveram que voltar para casa, sem conseguir entrar no auditório, que, em função da lotação atingida, não comportou a quantidade de pessoas atraídas por ela.

Djamila é mestre em Filosofia Política pela Unifesp (com ênfase em teoria feminista), conferencista e coordenadora da coleção Feminismos Plurais. Ela, que conta com dois livros publicados (“O que é lugar de fala?” e “Quem tem medo do feminismo negro?”), escreve, atualmente, para a Carta Capital. Djamila recebeu os prêmios Trip Transformadores (em 2017) e de Melhor Colunista no Troféu Mulher Imprensa (em 2018) e consta entre as 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo dos 40 anos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Primeira mulher brasileira a ser convidada para o Festival do Livro de Edimburgo em 2018, ela, que cresceu em Santos (SP), falou sobre sua produção literária, suas raízes, suas convicções sobre feminismo, negritude e muito mais. Aplaudida em vários momentos durante o bate-papo, Djamila não deixou perguntas sem respostas e sua presença foi um verdadeiro presente em nosso aniversário.

Confira alguns dos temas abordados durante o encontro:

A BSP – “Aqui foi o Carandiru, um espaço onde aconteceu um massacre nesse país. Então poder ressignificar isso é importante mas, ao mesmo tempo, também é importante manter essa memória e o quanto que isso é uma história recorrente, infelizmente, no nosso país; faz parte desse sistema. Mas, ao mesmo tempo, é importante também estar aqui para discutir, falar, propor e pensar isso. Acho que, no Brasil, ainda é algo que a gente precisa aprofundar mais, que é pensar essa questão do racismo como fundamental. Então, fico bastante feliz em estar aqui, sobretudo nesse espaço tão simbólico.”

A família - “Meu pai era estivador no Porto de Santos. Minha mãe era dona de casa. Antes de casar com meu pai, ela foi empregada doméstica. Eu tenho dois irmãos e uma irmã. Eu sou a mais nova. Somos em quatro. A gente teve uma educação muito politizada, sobretudo por conta do meu pai, que era um homem extremamente culto, apesar de não ter tido acesso ao ensino formal (são duas coisas diferentes). Então, ele lia muito e era comunista, fazia a gente ir nas manifestações. Eu lembro com seis anos gritando: o porto é do povo.” “Meu pai me trouxe muito dessa consciência racial. Lembro que, com meus irmãos, desde cedo, isso era discutido dentro de casa. E tinha aquela coisa que ‘tinha que estudar’. Então, meu pai era muito rígido nesse sentido”. “Tem que estudar. Livros sempre dentro de casa. Eu ganhava livros de presente quando era criança. Eu tive oportunidade de aprender a jogar xadrez quando era criança. Porque, na época que eu era criança, existia a União Cultural Brasil – União Soviética em Santos e era onde a gente fazia cursos lá, os filhos dos comunistas. Então, meu pai era um trabalhador braçal mas conseguiu proporcionar pra gente uma educação de qualidade. À época, você tinha o colégio Moderno, dos filhos dos estivadores, que era um colégio mantido pela categoria.” “Minha mãe era uma mulher extremamente forte. Tem muito da minha mãe no sentido da minha formação como mulher, de lutar por aquilo que você acredita. Então, acho que esse ambiente, em Santos, me proporcionou algo muito diferente da maioria das pessoas que veio da minha condição social.”

O primeiro contato com escritores de referência – Durante o bate-papo, Djamila citou vários autores que tornaram-se referências nos seus escritos. A autora destacou alguns que conheceu em casa, por influência do pai, como a biografia de Malcolm X, além de Abdias do Nascimento e Maquiavel.

O começo de tudo – Sempre muito questionadora, Djamila, aos 19 anos, encontrou a Casa de Cultura da Mulher Negra, em Santos, uma ONG de feministas negras, onde trabalhou por três anos. “Ali foi um outro divisor de águas da minha vida”, destaca ela, que ficava na biblioteca da entidade, chamada Carolina Maria de Jesus. Foi lá que ela descobriu Sueli Carneiro e Toni Morrison , entre outras escritoras de importante influência na sua trajetória.

Quer saber mais? Ver ou rever o bate-papo com Djamila no Segundas Intenções? Quem perdeu a oportunidade pode ver o bate-papo na íntegra em nosso Facebook, clicando aqui. A dica vale também para quem quiser rever a conversa. Importante lembrar que todas as edições do Segundas Intenções contam com transmissão ao vivo pelo nosso espaço no Face e estão reunidas em nosso canal no Youtube.

Ao final do Segundas Intenções, Djamila foi abraçada por todos, em uma foto coletiva bem em frente à biblioteca. Viva, Djamila! Foi um prazer recebê-la em um momento tão especial para todos nós!

Confira também o “cartão” que a escritora gravou para o aniversário da biblioteca, pouco antes do Segundas Intenções começar, clicando aqui.

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