Oficina O risco da caneta trilha caminhos entre ritmos e estilos

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“Poesia é a palavra em estado de lança”, diz Luiza Romão, que comandou, nos dias 19 e 21 de março, a oficina “O risco da caneta”, na BSP. Foram seis horas, divididas em dois encontros, de muita leitura e escrita. A atividade, na programação especial de comemoração do mês das mulheres, partiu de uma série de exercícios criativos, troca de referências e experiências.

A oficina tinha como objetivo estimular a escrita, desenvolver procedimentos de criação e apresentar mulheres poetas expoentes da literatura contemporânea, especialmente do Spoken Word e relacionadas com a literatura falada. As participantes, tal qual era esperado, soltaram o verbo e experimentaram as várias possibilidades em estilos e ritmos, descobrindo e desdobrando as possibilidades formais da poesia oral e escrita.

Na aula final, o exercício – que pode, claro, ser repetido em casa por quem se interessa por desenvolver suas habilidades nessa área – teve início com a escolha de um texto, seguida da criação de uma “releitura”, trilhando caminhos que passassem pelo tema e/ou pelo estilo, mas sempre com a “marca registrada da voz” da participante. Tudo acompanhado de perto por Luiza, que sugeria um ou outro ajuste para que o texto ganhasse ainda mais força, como retirar frases inteiras, palavras ou situações consideradas clichês. Uma sequência de vídeos de coletivos de mulheres, apresentações de slams, video-declamações e até de trechos de campanha de alerta de violência/assédio contra mulheres originou novo exercício, no qual as participantes identificaram aspectos relevantes em cada uma das obras, como temática, estilo, forma, abordagem etc.

Quem esteve na oficina também conheceu os inúmeros formatos utilizados para fazer circular a produção literária, em geral, de escritores independentes como livros-objetos, livros destacáveis, os construídos de forma artesanal, grampeados, plaquetes (livros em formato reduzido, de produção artesanal) etc. Luiza apresentou obras e vídeos com mulheres que utilizam a poesia oral como força motriz de suas obras. E partiu desses exemplos também para desafiar as participantes da oficina. Entre as mulheres citadas constaram Maurinete Lima, que passou a frequentar saraus depois dos 70 anos de idade; Luz Ribeiro, primeira mulher a ganhar o campeonato de Slam e representar o Brasil em disputa internacional; Penélope Martins, escritora e criadora de projetos de leitura em rede; Larissa Mundim, que incorpora a linguagem da internet em algumas de suas obras (exemplo do livro “faz rs”); Anna Zêpa, com seus textos curtos e compartilháveis (em livros-destacáveis), entre outras.

Quem é Luiza?

Luiza Romão é poeta, atriz e slammer. Formou-se em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e na Escola de Arte Dramática (também da USP). É autora dos livros “Sangria” e “Coquetel Motolove”, publicados pelo Selo doburro/SP – além de ter participado de inúmeras antologias virtuais e impressas de poesia contemporânea. Em 2014, foi vice-campeã nacional de poesia (Slam BR) e campeã de diversos slams de São Paulo. Seu projeto muti-artístico Sangria circulou por diversos Estados brasileiros (Goiás, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro) e países latinoamericano (Uruguai, Argentina, Porto Rico). No teatro, Luiza participou dos coletivos teatrais: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, Teatro Documentário, Cia Ato Reverso, Turma 66, entre outros. Como arte-educadora, trabalhou em projetos como Vocacional, Fábricas de Cultura, Ademar Guerra e Juventudes/SESC. Além disso, há seis anos, tem participado ativamente da cena de Slam no Brasil, alternando trabalhos como slammer, palestrante, agitadora cultural e mestre de cerimônias (como a recente Noite de Abertura do Slam BR 2018).

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