Mal líquido: vivendo num mundo sem alternativas (Z. Bauman; L. Donskis)

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capa_mal_liquidoPara Bauman e Donskis há algo de novo sobre o mal no mundo contemporâneo. Ocultando-se na base da existência humana e em sua rotina diária, ele se tornou mais comum, mais insidioso e menos visível – e quer nos convencer de que não há alternativa à onda de alienação, desumanidade e individualismo narcisista corrente. Os autores nos guiam por um terreno atual e movediço, onde o Mal líquido ameaça tirar da humanidade seus sonhos, seus projetos e sua capacidade de divergir exatamente quando mais precisamos de nossos laços humanos. Difícil de ser detectado, desmascarado e enfrentado em sua forma atual, é quase impossível resistir ao mal, já que ele nos seduz pelo seu caráter corriqueiro e então se retira sem avisar, de maneira aparentemente aleatória. O resultado é um mundo social parecido com um campo minado: sabemos que está cheio de explosivos e que explosões vão acontecer, mas não temos ideia de onde ou quando ocorrerão. Se antes o mal era personificado por Estados totalitários e brutais ou pela perda de sensibilidade em relação ao outro, agora ele se esconde nas teias produzidas diariamente pelo modo líquido moderno de comércio e interação. Infiltrado nos diversos buracos negros do espaço social, o Mal líquido nos impõe a ideia de que não há alternativa ao nosso mundo -desregulamentado, privatizado e baseado em competição acirrada, despolitização e estranhamento mútuo. É assim, mergulhados em redes e tramas que parecem criadas por Kakfa, Orwell ou Huxley, que entramos em uma espécie de admirável mundo novo da modernidade líquida e testemunhamos a erosão dos laços inter-humanos no momento em que mais necessitamos deles.

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