Comunidade boliviana compartilha seus saberes na BSP

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Quem frequenta a BSP costuma encontrar descendentes e imigrantes do mundo todo. No início de agosto, porém, foi a vez da comunidade boliviana marcar presença na biblioteca, de forma especial, com um sábado dedicado à cultura daquele país. As atividades começaram às 10h com a apresentação de música conduzida por Juan Cusicanki e homenagem à independência da Bolívia (celebrada no dia 6 de agosto).

Uma oficina de gastronomia, com o grupo PertenSer – SYP, encheu o auditório de aromas e sabores. Quem esteve por aqui aprendeu as características dos vários milhos e grãos andinos (maiz chulpe, maiz pelado, quinoa) e ainda acompanhou uma aula de culinária, que culminou com concorrida degustação de sopa maní (um tipo de amendoim). Tudo explicado e feito, passo a passo, por Maritza.

A tarde começou com oficina artesanal de tullmas andinas, com Jovana Moya. Em volta de uma grande mesa, com novelos e tesouras, os participantes criaram seus próprios pompons multicoloridos, usados tradicionalmente na Bolívia, para enfeitar os cabelos das mulheres ou como acessório para dançar.

A programação seguiu com intervenção musical, com o grupo Lakitas Sinchi Warmis, formado somente por mulheres imigrantes e filhas de imigrantes, que resgatam e celebram suas raízes, interpretando canções de tradição andina.

A tarde não estaria completa sem muita dança e foi o que aconteceu quando o Grupo Folclórico Kantuta Bolívia “invadiu” o auditório da BSP. A apresentação da Dança Caporal (da década de 70, inspirada no personagem masculino do Caporal, típico da dança afro-boliviana Yungueña Saya) fez o povo levantar das cadeiras e aplaudir a forte e alegre performance em pé.

Novas e antigas memórias

Quem esteve por aqui e aproveitou grande parte da programação foi Cristiane. Ela, que tem pai boliviano, se emocionou ao lembrar das canções que ouvia enquanto crescia e dos detalhes da cultura daquele país. Foi um resgate, como conta. O namorado frequenta a BSP e vivia convidando-a até que ela decidiu que era hora de finalmente conhecer o espaço. Não podia ter escolhido um momento mais especial. Cristiane arriscou-se na oficina de tullmas e saiu da biblioteca cheia de novas lembranças e com as memórias da infância mais vivas do que nunca!

Ao lado dela, Isabela e a mãe Blanca, de origem argentina, dividiam a alegria de passarem um dia divertido e cheio de aprendizados. Mãe e filha deliciaram-se com a sopa de maní, levaram para casa a receita e prometeram nova degustação em família. As duas também construíram suas próprias tullmas e, apesar de reconhecerem as limitações com o trabalho manual, brincaram e conversaram muito enquanto usavam os novelos de cores vivas nos pompons.

Para Davi foi a sopa de maní que mais atraiu a atenção. O pequeno é brasileiro, filho de Leidy, que tem pais bolivianos, e repetiu algumas vezes o prato quentinho, ao lado da mãe. A família permaneceu no auditório a tarde toda. Leidy ainda participou da apresentação das Lakitas, grupo do qual orgulha-se de fazer parte. Foi um programa gostoso para Davi, Leidy, Isabela, Blanca, Cristiane e para muitos outros, que se revezaram nas várias atividades do auditório.

Mas ninguém ali estava mais feliz do que Rocio! Ela, que era uma das organizadoras do evento e faz parte do coletivo SíYoPuedo!, veio com a mãe (dona Francisca) e a filha Gabriela. Diferentes gerações que se dedicam a celebrar a comunidade boliviana. Elas estão todos os domingos na Feira da Kantuta (no bairro do Pari) e, no início de agosto, trouxeram a alegria e a riqueza da cultura da Bolívia para dentro da BSP.

Quer saber mais sobre a Kantuta? Em nosso acervo, há o livro “Histórias que se cruzam na Kantuta” e muito mais sobre a Bolívia. Quem sabe, em sua próxima passagem pela BSP, você não decide viajar nos livros com essa temática? Fica a dica!

 

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