#BSP10anos: workshop debate presente e futuro da biblioteca contemporânea

0

DSC_8773

Realizado nos dias 13 e 14 de fevereiro, em meio às comemorações de 10 anos da Biblioteca de São Paulo, o Workshop Internacional Mediação: Uma Biblioteca para Hoje e para Todos discutiu, entre outros temas, o papel e o futuro das bibliotecas contemporâneas, a atuação do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), e o potencial das redes de bibliotecas comunitárias.

Uma constante entre as cinco mesas que compuseram o seminário foi de que as bibliotecas como as conhecíamos está com os seus dias contados: “A biblioteca que espera alguém ir até lá e pegar um livro vai morrer”, disse Pierre André Ruprecht, diretor-executivo da SP Leituras, organização social que gere as bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos, além do SisEB.

A primeira mesa, Uma Biblioteca para Hoje e para Todos, teve participação do jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, da educadora Isabel Santos Mayer e de Ruprecht. A mediação ficou a cargo de Amanda Leal de Oliveira, idealizadora e coordenadora do premiado projeto Piracaia na Leitura.

Participantes da mesa Uma Biblioteca para Hoje e para Todos. Foto: Equipe SP Leituras

Participantes da mesa Uma Biblioteca para Hoje e para Todos. Foto: Equipe SP Leituras

Com mais de 40 livros publicados, Brandão desfilou seu bom humor ao enumerar as três bibliotecas fundamentais de sua vida: a de seu pai, na cidade natal de Araraquara; a da escola, que tinha livros como os clássicos infantis da coleção Melhoramentos, e a municipal, que chegou a proibir, por ordem do prefeito, o empréstimo de livros de Jorge Amado para mulheres. “Se existisse uma biblioteca como a BSP na minha época, eu não ganharia o Jabuti, seria capaz de ganhar o Prêmio Nobel”, brincou o autor de “Não Verás País Nenhum” (1981) e membro da Academia Brasileira de Letras.

A educadora Isabel Santos Mayer, do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário e da Rede LiteraSampa, falou de algumas de suas experiências na periferia, no bairro de Parelheiros, Zona Sul de São Paulo. “A biblioteca de hoje é a biblioteca do encontro, a que quebra paradigmas”, disse ela. “Além disso, não tem livro proibido, não temos pacto com a censura.”

A segunda mesa do primeiro dia, Alfabetização Midiática e Informacional: Acesso Igualitário à Informação e ao Conhecimento, teve a participação da professora Alexandra Bujokas de Siqueira e do jornalista e professor Eugênio Bucci, sob mediação de Valéria Valls (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Alexandra falou sobre o discurso midiático em tempos de novas tecnologias e de como as bibliotecas podem se adaptar a esses novos tempos, como um espaço essencial para construção autônoma do conhecimento. Bucci, por sua vez, disse que, em um momento em que o governo toma todas as medidas para facilitar a circulação de armas e dificulta a circulação de livros, a “biblioteca é um espaço vital”.

Gonzalo Oyarzún e Isabel Santos Mayer no Workshop Internacional Mediação. Foto: Equipe SP Leituras

Gonzalo Oyarzún e Isabel Santos Mayer no Workshop Internacional Mediação. Foto: Equipe SP Leituras

Segundo dia

No segundo dia do Workshop, Ruprecht aproveitou para homenagear três profissionais que contribuíram para a criação e o desenvolvimento da BSP: Sueli Motta, superintendente de Bibliotecas da SP Leituras; o bibliotecário e professor chileno Gonzalo Oyarzún; a bibliotecária Adriana Ferrari, presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários. Adriana e Sueli receberam um buquê de dálias cada uma, e Oyarzún os livros vencedores da última edição do Prêmio São Paulo de Literatura, “Enterre seus mortos” (Cia das Letras), de Ana Paula Maia, e “O pai da menina morta” (Todavia), de Tiago Ferro.

André Ruprech, Adriana Ferrari, Sueli Motta e Gonzalo Oyarzún. Foto: Equipe SP Leituras

André Ruprech, Adriana Ferrari, Sueli Motta e Gonzalo Oyarzún. Foto: Equipe SP Leituras

Na primeira mesa do segundo dia, As funções social, cultural e educadora da Biblioteca Contemporânea, com mediação de Isabel Santos Mayer, Oyarzún falou sobre sua experiência como diretor do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas do Chile e diretor da Biblioteca de Santiago. Entre outras coisas, citou experiências como as da bibliotecas Rural Laboratorio del Espiritu, no município de El Retiro, na Colômbia, que atende as necessidades da comunidade rural local; ou da Grainnotheque, na Costa do Marfim, que tem um acervo de livros especializados e um grande acervo de sementes e grãos. “Uma biblioteca tem que se ocupar das questões da comunidade”, disse ele, em sua apresentação. “Uma biblioteca é muito mais do que só livros.”

A parte da manhã foi encerrada com a mesa O Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo: Avaliação e Desafios, com as participações das educadoras Isabel Ayres e Marilena Nakano, e do gestor cultural Paulo Bernardes, sob mediação de Sueli Motta, superintendente de Bibliotecas da SP Leituras. Os três compartilharam suas experiências à frente de projetos como a Biblioteca de Birigui, a Rede Cultural Beija-flor de Pequenas Bibliotecas, em Santo André, e a Biblioteca Walter Wey, da Pinacoteca, em São Paulo.

O Workshop Internacional Mediação, na parte da tarde, foi na companhia de Adriana Ferrari, de Oyarzún e de Ruprecht, compondo a mesa-redonda Bibliotecas em rede e os 25 anos do manifesto da IFLA/Unesco sobre bibliotecas públicas. Enquanto Adriana fez um breve histórico do manifesto em apoio às bibliotecas públicas do mundo inteiro, Oyarzún promoveu uma espécie de debate sobre propostas de mudanças e atualizações no para serem enviadas ao próximo Congresso da IFLA.

Realizado pelo SisEB, com execução da SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, o evento tem como objetivo principal a formação geral e crítica de profissionais das áreas da biblioteca, leitura e literatura para atuar no campo da mediação.

Compartilhe

Sobre o Autor

Deixe um Comentário