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Contadora de histórias fala dos desafios da Hora do Conto Interativa

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Kiarra Terra. Foto: Paulo Savala.

Kiarra Terra. Foto: Paulo Savala.

No comando da Hora do Conto Interativa (a ser realizada nos dias 25 de julho, 1º, 8 e 15 de agosto dentro da programação online da sua BSP), Kiara Terra acredita na contação com interação . “O que me move é acolher as perguntas que a história desperta no público no momento em que é contada. A história interativa, colaborativa ou mesmo aberta – como gosto de chamar – é uma narrativa que parte da escuta do público e, nela, o maior desafio é sustentar o contato olho no olho, as hipóteses feitas em conjunto entre narrador e público”, conta ela. Confira outras questões abordadas por Kiara em rápido bate-papo sobre a atividade, que também será realizada na Biblioteca Parque Villa-Lobos (em agosto):
Qual foi seu critério na escolha das histórias a serem contadas na Biblioteca de São Paulo e Biblioteca Parque Villa-Lobos, nesta iniciativa? Escolhi histórias que gosto muito! Para algumas, o critério foi a narrativa visual das ilustrações ser muito forte; em outros casos, escolhi histórias apaixonantes tanto para crianças quanto para adultos. E algumas delas estão ligadas de maneira muito divertida às atividades que faremos. Mas o critério para é serem curiosas e bem humoradas!
O que a Hora do Conto Interativa tem de mais atraente, na sua opinião, para as famílias que estão com os pequenos em casa? Estes tempos não são fáceis. Há muitas ofertas de live e de outras atividades em plataformas digitais. Isso foi essencial e está sendo para que a gente consiga ficar em casa. Nesse período de quarentena, recebi convites de algumas escolas para fazer histórias interativas via Zoom, também participei de uma plataforma da universidade do Minho, conversando com as crianças sobre a pandemia por meio de histórias. Foi uma experiência surpreendente! Consegui algo que eu achava impossível: a sensação de proximidade, intimidade, partilha de segredos e, principalmente, um brincar junto, usando as palavras e o corpo. Acredito que esta foi uma semente para a atividade que faremos nas bibliotecas e que me levou para esta proposta que convida pais e filhos a trazerem coisas de casa para história (memórias fotografias, objetos e brinquedos). O mais atraente é que vamos construir nossa história juntos! E fazer o que somente compartilhamos com amigos, que é abrir nossa casa, nosso coração, além de nossa atenção, para estarmos juntos ouvindo e contando. É uma atividade de atitude ativa, festiva e profundamente vinculadora.
Como a contação de histórias pode contribuir para o conforto das crianças neste momento de enfrentamento de pandemia e distanciamento/isolamento social? Nestes tempos, tenho usado uma frase que virou mote para muitos dos meus trabalhos (entre eles, um podcast que estou fazendo para UNICEF): ‘a gente não pode sair, mas histórias podem’. É muito duro não poder sair de casa, mais duro ainda perceber que algumas pessoas não têm o privilégio e a estrutura para cuidar umas das outras. Diante do luto de perder quem a gente ama, da falta de contato com os amigos, professores e toda a troca de saberes que construímos nas escolas… diante disso tudo, temos o maior e mais complexo presente: nossa imaginação, nossa capacidade de transpor essa realidade dura, encontrando aconchego e acolhimento dentro das narrativas. É a nossa história que está em curso, acontecendo agora e ela não se faz sozinha, mas, sim, coletivamente. Ouvir e contar histórias, neste contexto, nos lembra quem nós somos e nos dá a alegria extremamente necessária para seguir. 
Para conferir a programação completa, dia a dia, clique aqui. Para fazer sua inscrição, acesse: https://bsp.org.br/inscricao/ (os encontros são independentes).
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