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Romance cult de Hilda Hilst promove debate sobre liberdade narrativa

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Tema do Clube de Leitura Online de julho na BSP, em parceria com a Companhia das Letras, “A obscena senhora D”, de Hilda Hilst (1930-2004), gerou uma rica discussão entre os mais de 20 participantes. O encontro virtual, promovido dentro da programação da BSP, ocorreu nesta sexta à tarde, dia 24.

Sob a mediação de Marcelo Rodrigues e Anthony Cardoso Almeida, do departamento de Atendimento da SP Leituras, a obra, uma das mais cultuadas e transgressoras da autora, levantou questões sobre o uso da narrativa simulando fluxo de consciência, sobre os limites entre sanidade e loucura na história e sobre a crença dela na religião e em seus símbolos.

No romance, que foi publicado originalmente em 1982 e reeditado há dois pela editora Companhia das Letras, a protagonista, uma mulher de 60 anos, fica viúva e se refugia no vão da escada da casa que dividia com o marido. Sozinha e em luto, ela refaz a trajetória de sua vida e se questiona sobre sua própria existência. Incluída em “Da prosa”, a edição lida pelos participantes conta com posfácio inédito da professora Eliane Robert Moraes.

Anthony e Marcelo abriram o Clube com uma breve apresentação sobre a autora. Nascida em Jaú, no interior de São Paulo, Hilda formou-se em Direito pela USP e, aos 35 anos, mudou-se para a chácara Casa do Sol, próxima a Campinas, onde se dedicou inteiramente à criação literária. Escreveu poesia, ficção e peças de teatro. Em 2018, foi homenageada pela Flip.

Para Mariana Vieira, o que primeiro causou impacto foi a falta de pontuação: “É muito bonito isso, para mim, porque sempre fico pensando que o autor quer que a gente preste atenção em algo. Já li esse livro umas duas vezes antes, mas nunca tive a sensação de agora. Da primeira vez, quando era adolescente, achei que ela estava fugindo do mundo [na escada]. Agora, me dei conta de que é um refúgio, para tentar se entender”.

Elisangela Mendes leu um trecho e falou sobre a questão religiosa, que se impõe a partir do ceticismo e da dúvida: “Gosto muito da questão metafísica que ela coloca no meio da história: quem é Deus, o todo-poderoso, o ausente? Algumas vezes, me vi meio rindo, porque ela esculacha mesmo, de um jeito bem debochado”.

Fabiana Bigaton Tonin, educadora que mora em Campinas, disse que foi a primeira leitura de um romance de Hilda – suas primeiras experiências com a autora foram por meio da poesia. “Primeiro, tive um estranhamento, por causa dessa forma sem pontuação”, disse ela, que leu um trecho do livro. “Depois, veio o maravilhamento. Por causa de várias coisas, desde imagens muito bonitas, muito etéreas, até imagens muito cruas. Tem contrastes dentro do texto, o que é incrível”.

O Clube de Leitura faz parte da programação da BSP no período de quarentena, que conta com várias outras atividades online. Com a necessidade de estimular o distanciamento social e outras medidas de proteção contra o contágio pelo novo coronavírus, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo criou o #Culturaemcasa, que amplia a oferta de conteúdos virtuais dos equipamentos.

Importante lembrar que a biblioteca está com atividades presenciais suspensas.

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