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Em meio à pandemia, Tony Bellotto compõe e trabalha em novo livro

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Foto Cesar Cerchiari

Tony Bellotto.

Compositor e guitarrista da banda Titãs, o também escritor Tony Bellotto é o convidado do Segundas Intenções Online de agosto na Biblioteca de São Paulo. O bate-papo, com mediação do jornalista Manuel da Costa Pinto, acontece no dia 3, às 19h, e será transmitido ao vivo na página da BSP no Facebook (@BSPbiblioteca).

Bellotto estreou na literatura em 1995, com “Bellini e a Esfinge”, primeiro romance policial da série protagonizada pelo investigador Remo Bellini. Também se lançou em outros gêneros, com “Lô” (2018), “Machu Picchu” (2013) e “No Buraco” (2010).

Em maio, Bellotto lançou um livro novo, “Dom”, que conta a história de um jovem de classe média convertido em chefe de quadrilha no Rio de Janeiro dos anos 2000. No romance, o autor confronta o presente de Pedro Dom, cuja especialidade é roubar residências, com o passado do pai dele, um policial aposentado que trabalhou no combate ao tráfico e fez parte do Esquadrão da Morte durante a ditadura.

A seguir, o artista fala sobre como tem sido sua rotina e sua produção, além de revelar o que tem consumido nesses tempos de pandemia.

Como a pandemia afetou sua rotina pessoal e sua produção?
Afetou terrivelmente, pois minha profissão é tocar em lugares diferentes e viajar constantemente. Essa rotina foi interrompida abruptamente, sem previsão de retorno. As aglomerações, sem as quais não acontecem os shows de música, serão obviamente evitadas até que se tenha alguma vacina ou tratamento eficaz contra a covid-19. Com esse ganho involuntário de tempo ocioso, eu imaginei que conseguiria produzir bastante, mas a ansiedade e angústia geradas pela pandemia também impedem que esse processo criativo aconteça plenamente. Mas tenho composto alguma coisa de música sim, algumas canções que já estavam delineadas antes da pandemia, e outras que surgiram nesse período. Tenho aproveitado também para dar um acabamento final num romance em que já vinha trabalhando desde o ano passado. Afinal, com ou sem pandemia, como diz o Cazuza, “o tempo não para”.

Tony Bellotto. Foto: Silmara Ciuffa.

Tony Bellotto. Foto: Silmara Ciuffa.

Você aumentou o consumo de produtos culturais, está lendo mais, vendo mais filmes e séries ou assistindo a outros eventos virtuais? O que tem feito nesse sentido e o que recomenda?
Não acho que tenha aumentado o consumo de produtos culturais, mas mudei um pouco o foco. Como não é possível ir ao cinema, tenho tido oportunidade de assistir a algumas séries de TV. Sempre comentam muito comigo sobre essas séries e eu nunca consegui desenvolver o hábito de assisti-las. Gostei muito de “Califado” e “Chernobyl”. Tenho lido bastante também, mas isso é algo que sempre faço e não posso creditar o hábito aos efeitos da pandemia. Li pela primeira vez um livro da vencedora do Nobel Olga Tokarczuc, “Sobre os Ossos dos Mortos”, e gostei bastante. Estou lendo agora “O Vermelho e o Negro”, o clássico do Stendhal que nunca tinha lido. Esse talvez seja um efeito da quarentena: aproveitar para corrigir certas falhas de formação, ler clássicos que ainda não tinha lido, pois a presença da morte inegavelmente nos inspira a urgência…

Aproveitou a oportunidade que se apresentou para iniciar a produção de algo novo? Pode adiantar?
Sim, compus algumas canções interessantes, mas infelizmente não tenho como apresentá-las aqui…

Foto: Reprodução

Capa de “Dom”, de Tony Bellotto

Como foi para você a experiência de lançar um livro em meio a uma pandemia e um estado de confinamento? O que tirou dessa experiência?

Foi meio estranho. Senti falta dos lançamentos presenciais, as saudosas noites de autógrafo. Lançar um livro é sempre um ato meio solitário, pois nunca se sabe quem está comprando e lendo seu livro, e nem é possível saber o que os leitores estão achando do que você escreveu. As noites de autógrafo costumam amenizar um pouco essa sensação. E além do mais, as livrarias estão fechadas, ou funcionando com restrições. Tudo isso dificulta um pouco a veicularão do livro. Por outro lado, apesar de todas essas dificuldades, “Dom” tem recebido críticas positivas e muita gente comenta comigo que está gostando do livro. O que eu tiro dessa experiência é que, como diz Fernando Pessoa, “navegar é preciso”.

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