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Xico Sá traça panorama da crônica brasileira em oficina online

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O jornalista e cronista Xico Sá. Foto: LZ.

O jornalista e cronista Xico Sá. Foto: LZ.

“Bicho meio estranho”. “PF da literatura”. “Primo pobre dos gêneros literários”. Estas foram algumas definições de crônica dadas por Xico Sá no início da oficina online A Arte da Crônica, realizada pelo jornalista e cronista em duas aulas ao longo desta semana, no âmbito da programação da Biblioteca de São Paulo. Com mais de 40 participantes, muitos dos quais mulheres e uma grande quantidade de jornalistas, os dois encontros virtuais mostraram como o gênero surge e ganha contornos muito próprios no Brasil.

Gabriela Solgon, professora da rede pública no ABC paulista, disse que se inscreveu para “aprender um pouco mais deste gênero vira-lata”. Formado em filosofia, Adriano Alves de Lima gosta de escrever poesia, mas queria arriscar outros gêneros e quis participar “para aprender mais sobre a crônica”. A jornalista carioca Anelise Gonçalves até se arriscou a mostrar o seu trabalho, a crônica “Ode aos camelôs do trem”.

Na primeira aula, Xico diz que Machado de Assis foi um dos primeiros cronistas brasileiros cujos textos ganharam popularidade. Ao citar trabalhos do Bruxo do Cosme Velho, o jornalista pernambucano diz que até uma observação sobre a temperatura – “Que calor! Que desenfreado calor” – pode ser o mote de um texto sobre o cotidiano. Por ser muitas vezes uma observação do trivial, é, também segundo o professor, um “gênero encorajador”. “Não precisa ser nenhum Dostoiévski para escrever uma boa crônica”, diz.

Em suas exposições, Xico falou de outros cronistas importantes, até mesmo como marcos do gênero: Lima Barreto, João do Rio, Antônio Maria, Rachel de Queiroz, Rubem Braga e outros. “Entre Machado e João do Rio, tem Lima Barreto, que leva a crônica para os bares, para as tavernas do Rio”, diz. “Barreto faz essa crônica de porrada social, questionando desigualdades. Rubem Braga larga os assuntos ditos sérios, e vem uma virada, com os mineiros todos.”

Sem deixar de comentar os tempos atuais, Xico falou sobre a crônica nos tempos de pandemia. “Meus amigos cronistas sentiram falta do passeio”, diz ele. “A minha cronica mesmo passa muito por bar, de observação, por captar uma frase de garçom, uma conversa de casal. Senti dificuldade por causa disso de me adaptar.”

Tatiana Masetto, uma das alunas, avalia que vai precisar se educar porque “adoro devanear e a crônica pede mais realidade”. E continua: “Tem milhões de possibilidades… Eu vejo como uma foto mesmo. Uns olham a praça, outros a folha no chão, outros o banco, e por aí vai…”

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