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Marília Garcia cria uma poética que se espraia por outras linguagens

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Marília Garcia é poeta, artista e tradutora. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1979, e vive em São Paulo. Sua aproximação à literatura se deu na adolescência pela curiosidade em descobrir autores e obras, estimulada por professores e por uma coleção de clássicos com encadernação vermelha, que figurava nas estantes de sua casa. Lia, mas não escrevia. Dos 16 aos 20 anos, antes da entrada definitiva no mundo das letras, frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, instituição histórica na cidade do Rio de Janeiro, onde experimentou linguagens artísticas teóricas e práticas.

No Segundas Intenções, realizado em formato online, pela Biblioteca de São Paulo, a escritora contou ao jornalista Manuel da Costa Pinto que o mergulho nessa experiência foi impactante e tem influenciado a sua obra até o momento. “Para mim não era clara a importância de ter contato com outra linguagem. Está mais claro agora. O poema fora do lugar, mais aberto, como uma esponja que pode ir incorporando várias outras coisas”, reflete Marília, durante o bate-papo.

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E assim tem sido o processo criativo da autora, ao espraiar-se para outras direções, além do suporte de papel, estabelecendo interfaces entre as linguagens visual e verbal. Na faculdade de Letras, Marília sentia uma inquietação com a materialidade. “Trabalhava com texto e linguagem, mas não conseguia visualizar o que faria com isso”. Pelas mãos da poeta Valeska de Aguirre, foi trabalhar na editora 7 Letras, onde conheceu e foi influenciada pela poesia contemporânea.

A escritora tem sete livros: Encontro às cegas (2001), 20 Poemas para o seu Walkman (2007), Engano Geográfico (2012), Um Teste de Resistores (2014), Paris Não Tem Centro (2016), Câmera Lenta (2017) – que recebeu o Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa 2018 – e Parque das Ruínas ( 2018). O título 20 Poemas para o seu Walkman foi publicado sem nunca ter sido lido em voz alta. Em um evento literário em Buenos Aires, ao fazer uma leitura pública, Marília percebeu que os poemas não funcionavam. “Eles tinham uma dureza no andamento do texto”. A partir de então, incorporou a voz e imagens projetadas que entravam como contraponto à narrativa. “Tinha um sentido de experimentar”.

Marília usa a estrutura do verso, mas ao ouvi-la parece prosa. A musicalidade se cria e na repetição da voz, produz-se quase um efeito hipnótico. Para conhecer alguns exemplos de leitura de poemas acesse:

A poesia é uma forma de resistores?, do livro Um teste de resistores.

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Tem país na paisagem?, do livro Parque das Ruínas.

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Seu trabalho pode ser visto aqui mariliagarcia.com   


e https://www.youtube.com/user/mariliagarcias/

Assista aqui ao Segundas Intenções com Marília Garcia.

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