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Escritor Raimundo Carrero fala da violência que o assombra

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Raimundo Carreiro é pernambucano, escritor e jornalista. Nasceu no sertão, na cidade de Salgueiro, em uma casa de 12 quartos, e desde então, por receio de topar com assombração, dorme de frente para a porta. Foi saxofonista da banda Os Tártaros, cantou em cabarés, nos anos 70 participou ativamente do Movimento Armorial ao lado do também escritor e amigo Ariano Suassuna, e mantém uma oficina de criação literária, que revelou, entre outros, o romancista Marcelino Freire.

Convidado do Segundas Intenções de julho, na BSP, Raimundo Carreiro conta ao público e ao mediador Manuel da Costa Pinto, no melhor sotaque pernambucano, como a profissão de jornalista e ex-repórter policial do Diário de Pernambuco contribuiu para estruturar seu mais recente livro de contos Estão matando os meninos (2020). Antes de tudo, a infância é, desde muito tempo, uma temática que mobiliza a atenção do autor que tem 23 livros publicados. Em 1984, escreveu A dupla face do baralho: confissões do comissário Félix Gurgel, que narra a história de um pai torturador e seu filho excepcional. Recentemente, diante da avalanche de notícias que assiste pela televisão sobre crianças assinadas, Carrero tomou a decisão de escrever sobre o assunto.

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Em bate-papo com o jornalista Manuel da Costa Pinto, Raimundo Carrero (à direita), conta de que maneira histórias e pessoas influenciaram sua obra. Crédito: Reprodução/ Facebook.

Tomou notas de cada caso e acrescentou exemplos menos midiáticos, da infância do sertão. A estrutura narrativa, como se escrevesse cartas, remete a outro livro seu: As sombrias ruínas da alma (2000), premiado com o Jabuti. A inspiração estilística vem da década de 90, quando leu a obra do escritor grego, Níkos Kazantzákis, por indicação de Ariano e pelo poeta Maximiano Campos. Em um de seus livros, o protagonista, um professor ridicularizado pelos alunos, escreve cartas aos poderosos sugerindo como melhorar o mundo. Ai surge a minha ideia.

Carrero, ao longo da trajetória de escritor, privilegiou romances e novelas. Seu amigo Maximiano dizia: “o conto é a possibilidade de um romance perdido e isso me angustiava muito, ficava preocupado em jogar fora um grande romance”, diz o autor.

Outra amizade e influência decisiva na obra de Carrero, foi Suassuna, percussor do movimento de valorização das artes populares nordestinas como base para estimular a criação da cultura erudita. A aproximação começou quando, certo dia, o jovem Raimundo, à época um músico iniciante na arte da escrita, foi à casa do já renomado dramaturgo para mostrar os primeiros rascunhos de um livro. Saiu dali entusiasmado com o convite para participar do Movimento Armorial e trabalhar com o mestre na universidade. Era o começo dos anos 70. “Eu era louco para entrar no movimento, mas não tinha obras, pinturas…mas lembrei de uma história que se contava muito em Salgueiro: o marido ia matar a mulher, mas, de repente, um dragão saia de trás de um pano e matava o marido”, conta Carrero. Essa história resultou na publicação de Romance do bordado e da pantera negra, produção feita em parceria com o amigo.

Ficou com vontade de ler uma obra de Raimundo Carrero? O acervo dispõe, entre outros, dos seguintes títulos: A minha alma é irmã de Deus (2010), O senhor agora vai mudar de corpo (2015) e Tangolomango (2013), sendo este em versão digital.

Veja ou reveja aqui o bate-papo.

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