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Oficina reúne participantes em torno dos escritos do jornalista e ativista Luiz Gama

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Ligia Ferreira Foseca - Crédito Silvia Costanti

Ligia Ferreira Foseca – Crédito Silvia Costanti

Um dos mais notáveis pensadores negros brasileiros do século XXI – o escritor, jornalista e ativista Luiz Gama  (1830-1882), o único a ter sofrido a escravidão, antes de se tornar um literato e imbatível e defensor dos escravizados -, foi a inspiração para a Oficina Inspiração Luiz Gama: escrever sobre si, o Brasil e o mundo hoje.

Ministrados por Ligia Fonseca Ferreira, professora associada do curso de graduação e do programa de pós-graduação em Letras da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, os encontros acontecem até o final de setembro, na Biblioteca São Paulo -, em atividade que integra o Projeto Literatura Brasileira no XXI, em parceria com a Unifesp.

As dinâmicas propostas para esta oficina tiveram como ponto de partida a leitura comentada de textos epistolares  (cartas a amigos e familiares, cartas públicas) e textos representativos do  discurso jornalístico (artigos de opinião, crônicas, notícias), publicados nos principais órgãos da imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro ao longo de quase vinte anos. Ao final, os alunos produzirão breves textos, nos gêneros epistolar e jornalístico, uma oportunidade em que foi possível observar suas vozes e perspectivas pessoais.

O legado de Luiz Gama

Dono de uma história de vida fascinante – Luiz Gama foi ex-escravo que veio menino da Bahia e que se tornou um grande tribuno do júri na defesa gratuita de escravos – suas ações de luta pela liberdade foram legitimadas nos campos político, jornalístico e jurídico.

Seu principal legado, no entanto, são seus escritos, redigidos em primeira pessoa em sua maioria, nos quais se observa não só o registro de sua trajetória, como a maneira como e o   sua condição excepcional no seio de uma sociedade escravocrata e de um meio letrado formado por brancos moldaram visão sobre o Brasil e o mundo.

A obra de Luiz Gama reflete o pensamento e a visão social e política sob a perspectiva singular de um homem negro de grande audiência e influência em sua época e se marca por uma surpreendente atualidade.

Os temas daquele passado “que nunca passa” dialogam com os dilemas que nos afetam no plano pessoal e coletivo, nacional e internacional, além de se fazer eco aos anseios antirracistas contemporâneos.

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