Brincar de escrever
13 DE abril DE 2022
Crédito: Acervo pessoal Provérbios e adivinhas podem virar poemas? Nas mãos do poeta e dramaturgo Marco Catalão, sim! Usando como ponto de partida o processo de criação do livro do próprio escritor No Cravo e na Ferradura, a oficina começou com uma provocação: um provérbio que faz uso de rimas e versos metrificados pode ser considerado um poema?
Como exemplo, Marco Catalão usou a estrutura da construção do dito popular “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” para explicar as semelhanças entre as duas linguagens. “O desafio é buscar poesia onde ela não existe e a partir do improvável mexer com a emoção das pessoas, algo bem parecido com que a música e outras artes fazem”, diz.
Para o escritor, a proposta de brincar com as palavras e mudar o sentido de algo que já está enraizado na cabeça das pessoas é bem instigante e um grande estímulo para a criatividade, como “águas futuras é que movem moinhos” ou “o inferno da galinha é o paraíso da raposa”. E completa: “Outro ponto interessante dos provérbios é que eles não possuem autoria. As pessoas usam, mas não sabem como surgiram”.
O mesmo conceito criativo, o autor utiliza para trabalhar com as tradicionais adivinhas. Nesse caso, o objetivo é criar uma estrutura de texto com questionamentos, no estilo “o que é, o que é?”, mas sem uma resposta específica para o quebra-cabeça.
“O que é? O que é?
Nasce junto às nuvens
Cresce sob o chão
Cabe num silêncio
Não numa canção”
No fim do encontro, os participantes fizeram exercícios práticos de escrita literária, usando adivinhas, provérbios e outras formas poéticas para estimular a imaginação. A atividade realizada na BSP faz parte do projeto Literatura Brasileira no XXI, em parceria com a Unifesp.
Além de No cravo e na Ferradura (Prêmio Internacional Literatura para Todos), Marco Catalão escreveu, entre outros títulos, Agro Negócio (Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia), O País das Luzes Flutuantes (Prêmio Bunkyo) e As Asas do Albatroz (Prêmio Rio de Literatura).
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