Lá se vão dez anos sem a prosa irônica do escritor português José Saramago
18 DE junho DE 2020
O escritor português José Saramago (1922-2010). Foto: Montagem/ Divulgação[/caption]Nesta quinta, 18 de junho, completa-se uma década sem José Saramago (1922-2010), Nobel de Literatura em 1998 e autor de romances fundamentais da língua portuguesa, como "Levantado do Chão" (1980), "Memorial do Convento" (1982), "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1984), "História do Cerco de Lisboa" (1989) e "Ensaio sobre A Cegueira" (1995). Saramago morreu na sua casa na ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias, na Espanha, acompanhado por sua família e amigos mais próximos.
Em seu discurso na cerimônia de entrega do prêmio da Academia sueca, Saramago falou longamente de como a Declaração Universal dos Direitos do Homem é solenemente ignorada no mundo inteiro. Só mencionou literatura quando, ao fim, elogiou todos os escritores portugueses e de língua portuguesa: “É por eles que as nossas literaturas existem. Eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar. Disse que não nasci para isto, mas isto foi-me dado. Bem hajam, portanto”.
Saramago nasceu em 1922, numa família de camponeses na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, em Portugal. Logo em seguida, os pais foram para Lisboa - na verdade, antes de ele completar 2 anos de idade.
Na capital portuguesa, o jovem Saramago foi para a escola e fez até os chamados "estudos secundários", que abandonou por falta de dinheiro. Depois, teria várias profissões: serralheiro mecânico, desenhista, funcionário público, editor, jornalista, entre outras.
Publicou o seu primeiro livro, o romance "Terra do Pecado", em 1947. Voltou às letras quase duas décadas depois, com um livro de poesias, "Os Poemas Possíveis (1966)". Somente a partir de 1976 passou a viver exclusivamente da literatura, primeiro como tradutor, depois como autor.
Em 2007, Saramago criou a Fundação José Saramago. Na "Declaração de Princípios" da instituição, ele escreve: "Nem por vocação, nem por opção nasceu a Fundação José Saramago para contemplar o umbigo do autor". E segue destacando três de seus principais objetivos:
a ) Que a Fundação José Saramago assuma, nas suas atividades, como norma de conduta, tanto na letra como no espírito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Nova York no dia 10 de Dezembro de 1948.
b) Que todas as ações da Fundação José Saramago sejam orientadas à luz deste documento que, embora longe da perfeição, é, ainda assim, para quem se decidir a aplicá-lo nas diversas práticas e necessidades da vida, como uma bússola, a qual, mesmo não sabendo traçar o caminho, sempre aponta o Norte.
c) Que à Fundação José Saramago mereçam atenção particular os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções corretivas que começam a esboçar-se no mundo.
Ao logo de dez anos em que Saramago, como ele mesmo dizia, "deixou de estar", a fundação se encarregou de manter a memória do escritor viva, e seus escritos póstumos em dia. Chegaram aos leitores dois romances inéditos, "Claraboia" e "Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas"; um volume dos seus diários, "Último Caderno de Lanzarote", e uma conferência sobre seu processo criativo, "Da Estátua à Pedra", além de outras publicações em revistas e jornais.
Surgiram, também, vários projetos musicais, peças de teatro, filmes, exposições, congressos de literatura, encontros e manifestações inspiradas em sua obra. Um desses trabalhos, o filme "O Ano da Morte de Ricardo Reis", de João Botelho, tem estreia prevista para setembro.
As bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos têm em seu acervo vários volumes de José Saramago. É importante lembrar que, devido às medidas para contenção da pandemia do novo coronavírus, ambas as bibliotecas estão com atividades presenciais suspensas.
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