“Minha convicção é de que a magia acontece na leitura”, diz o escritor Paulo Scott
10 DE agosto DE 2022
Crédito: Equipe SP Leituras O poeta, contista e romancista gaúcho Paulo Scott, uma das revelações da literatura brasileira contemporânea, em conversa com o jornalista Manuel da Costa Pinto no programa Segundas Intenções da BSP, no dia 7 de agosto, falou sobre sua trajetória literária, seu processo de criação e sobre a potência da Literatura para o debate e reflexão sobre questões como a violência, o preconceito racial e o machismo na sociedade brasileira.
A conexão com os
livros como estratégia para se movimentar dentro da timidez na infância, o
refúgio na biblioteca da escola para manter a invisibilidade, da leitura à
escrita de poesia, a dificuldade de se expressar, o fascínio pelas narrativas
dos adultos, a influência dos pais, professores e de autores como Jean Genet, Albert Camus e Jean-Paul Sartre, foram pontos de partida para quem
é hoje Paulo Scott.
O escritor nascido em Porto Alegre (RS), em 1966, radicado em São
Paulo desde 2019, chega à sua maturidade com uma incisiva produção literária, abordando
temas relevantes e urgentes para a sociedade brasileira, tão presentes em suas
obras. A discriminação racial e a importância da presença
cada vez mais expressiva da inteligência, mentes e
olhares negros e indígenas nos meios acadêmicos e literários, ‘caminhos
possíveis para entender o Brasil atual’, segundo o autor, estiveram entre as diversas questões trazidas
para o debate na manhã de sábado.
Ele é professor universitário, formado em Direito. O
doutoramento em Psicologia é a busca pela construção de uma ponte entre o
Direito e a Literatura. Não é por acaso que Paulo Scott transita por diversos
gêneros literários: da poesia à prosa, passando pelos contos e grafic novel,
publicou os quadrinhos Meu mundo versus Marta (HQ, 2021), os recentes Marrom
e Amarelo (romance, 2019) e Habitante Irreal (romance, 2011), Mesmo sem
dinheiro comprei um esqueite novo (poesia, 2014) e Ainda Orangotangos
(conto, 2003); Scott também é autor de Voláteis (romance, 2005) e do livro de poemas A Timidez do Monstro
(2006), entre tantos outros livros que fazem parte de uma extensa e densa obra.
Em 2022, a obra Marrom
e Amarelo, foi indicada para o maior prêmio literário de língua não-inglesa
no mundo, o The International Booker Prize. A história narra a vida do
negro de pele clara Federico, irmão de um homem negro de pele escura, Lourenço.
Um é "amarelo" e o outro é "marrom". " Na vida real,
Scott, é autodeclarado negro de pele clara e é irmão de um homem negro de pele
escura. A perspectiva de ser um homem negro em uma sociedade racista, destaca Scott,
é fundamental para sua escrita, desde o início: “As questões sobre preconceito
racial já estavam presentes no meu primeiro livro de poesia, Histórias curtas para domesticar as paixões
dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros”, diz o autor. Assinado sob o pseudônimo
Elrodris (abreviação do nome do seu pai), os poemas foram escritos em 2001 e
publicados pela Editora Sulina.
Paulo Scott escreve ainda
textos de dramaturgia e roteiros, colabora com revistas, jornais e suplementos
de cultura do país e do exterior (seus textos estão publicados em Portugal,
Inglaterra, China, Estados Unidos, Alemanha, México, França e Argentina).
Participou de projetos de escrita literária na China e na Austrália. Atualmente
está trabalhando na pesquisa para a escrita do romance “Ninguém Rondonópolis”.
A íntegra da entrevista com
o escritor pode ser vista na página do Facebook da
BSP.
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